terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

ZEITGEISTMOVIE



Teoria da conspiração no 'top' do Google Video


FILIPE FEIO


“Filme polémico já foi visto mais de dez milhões de vezes

Não há quem não goste de uma boa intriga, mas isso parece não ser suficiente para explicar o sucesso mundial do controverso Zeitgeist, The Movie. O documentário independente norte-americano lançado em Julho de 2007 na Internet já foi visto mais de dez milhões de vezes no site Google Video (através de www.zeitgeistmovie.com) e continua a conquistar frequentemente o top diário dos mais vistos em países dos quatro cantos do mundo. Muitos portugueses também já se deixaram seduzir.

"Inspirar as pessoas a olhar o mundo de forma mais crítica" e levá--las a compreender que nem tudo o que parece é foi aquilo que Peter Joseph (ou James Coyman, de acordo com a Wikipedia, única fonte que fala sobre ele) se propôs fazer, quando decidiu retratar o "espírito do tempo" (significado da palavra alemã que dá o título ao filme). Se vai ou não cumprir os objectivos é impossível dizer.


Mas uma coisa é certa: recomendado por blogues e passa-palavras (sobretudo pela Web), e traduzido em 13 línguas (incluindo a portuguesa), o filme já chegou a mais espectadores que muitos blockbusters do circuito comercial de cinema, mesmo sendo raramente referido nos media generalistas (talvez porque "rejeitar o pensamento conspirativo mantém--no vivo e de boa saúde", titula o jornal canadiano Globe and Mail).

Mas por que razão é o vídeo constantemente classificado como "obrigatório"? Vamos à história. Na primeira parte, Zeitgeist, The Movie tenta demonstrar que Jesus Cristo não passa de uma personagem de ficção, um "híbrido literário e astrológico", e um "plágio explícito" do deus egípcio Hórus. "O cristianismo, juntamente com as outras crenças teístas, é a fraude da era", afirma o narrador, e "dá o poder a quem sabe a verdade mas usa o mito para manipular e controlar sociedades". São 35 minutos de argumentos e teorias depois das quais se conclui: "O mito religioso é o artifício mais poderoso alguma vez criado, e serve como solo psicológico para que outros mitos possam florescer."


Que outros mitos? Por exemplo, a ideia de que a ameaça terrorista é real, e que não há outra hipótese se não temer um ataque a qualquer momento. Mito? E o 11 de Setembro? "Foi um trabalho interno", encenado com "a pretensão de angariar os fundos necessários para um novo nível de mobilização imperialista". A segunda parte de Zeitgeist, The Movie afirma que, tal como outros acontecimentos históricos, a tragédia não foi mais do que o mal necessário para legitimar a invasão do Iraque, e a redução das liberdades cívicas dos cidadãos norte-americanos, sob o pretexto da sua própria defesa contra a ameaça global.

Mas para quê? É aqui que o filme entra na última parte: alegadamente, a Reserva Federal americana (Fed) é um instrumento que está nas mãos de um pequeno grupo de poderosos banqueiros internacionais que enriquecem à custa do aumento das despesas federais. Como acontece, por exemplo: em caso de guerra. O plano dos "homens por trás da cortina" é a instauração de um "governo mundial", em que todos os cidadãos estarão identificados com um chip RFID (um microchip de identificação por radiofrequência). "E o aspecto mais incrível de todos: estes elementos totalitários não serão impostos", porque "é o povo que os vai exigir".


"Se as pessoas se aperceberem da verdade, todo este zeitgeist fabricado entrará em colapso, e cairá como um castelo de cartas", afirma Peter Joseph, quase no fim das duas horas de teorias, antes de citar Jimi Hendrix: "Quando o poder do amor se sobrepuser ao amor pelo poder, o mundo conhecerá a paz." Para depois terminar com as palavras do também falecido humorista Bill Hick: "É uma escolha, agora mesmo: entre o medo e o amor." Ficção ou não, Zeitgeist, The Movie ameaça tornar-se o campeão das teorias da conspiração dos dias de hoje. Se é que ainda não o é.”

http://dn.sapo.pt/2008/02/18/media/teoria_conspiracao_top_google_video.html

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Lealdade Feminina


Subscrevo o apelo lançado pelo blogue LEALDADE FEMININA:


"Nem nós podemos esperar que outras mulheres pensem como nós, nem podem as outras mulheres esperar que nós nos encaixemos. Sempre haverá diferenças entre mulheres, entre pessoas. Mas a essência feminina que nos une já existe, e é preciso religar essa energia para que ela flua de forma permanente formando um elo de luz, uma trama de luz. Que é de suma importância para reequilibrar o eixo central das forças de controlo. Mesmo contraditórias, dissonantes, discordantes uma das outras é importante relevar. Tolerância.

Cap.2 Tolerância. Deixar de lado as coisas pequenas e medíocres, as patriarquices, pq o tempo urge. Isso aqui não é um modismo, não é uma nova seita ou terapia alternativa. É apenas um alerta, feito através da Internet por uma mulher comum, simples, “normal”. É preciso unir em essência feminina todas as mulheres, a essência da vida. Não se trata de esperar que estejam prontas, iniciadas preparadas, etc, nada disso. É agora. Como estamos. Não dá tempo de esperar o momento perfeito e as pessoas preparadas...
(…)
A Lealdade Feminina é um movimento que reúne todas as mulheres no Amor fraterno e leal entre si mesmas. Através da Conscientização da Feminilidade autêntica , ancestral. Propõe um novo modelo social, diferente do actual modelo patriarcal, de dominação e violência. Queremos Vida. O maior trunfo do patriarcado é dividir as mulheres numa competição entre rivais. Não somos rivais, somos IGUAIS. Todas unidas por uma essência feminina. É preciso desmasculinizar o mundo e equilibrar as forças masculinas e femininas através do amor fraterno e universal. Só assim voltaremos a viver num jardim de harmonia e prosperidade. Com justiça social e paz para todos."(...)

http://lealdadefeminina.blogspot.com

Retirado de Mulheres & Deusas

Imagem: www.artigos.ciranddadalua.com.br

domingo, 24 de fevereiro de 2008

SER ESPIRITUAL


"Ser espiritual é ser um: um connosco, um com toda a criação. Mas antes de nos perdermos no todo, temos de nos encontrar como indivíduos.
O que significa 'indivíduo'? Significa ser uno e indivisível, ter a audácia e a coragem e a consciência necessárias para se ser quem se é – ou quem se nasceu para ser. Por isso o processo, psicológico e espiritual, a que se chama 'individuação' é uma jornada em direcção à unidade, à totalidade, à integridade. Como? Reunindo o que em nós está, por natureza e condição, dividido: luz e sombra, consciente e inconsciente, corpo e espírito, matéria e energia, acção e passividade, movimento e repouso, masculino e feminino, instinto de separar e instinto de unir.
Tornarmo-nos indivíduos significa religar as partes de nós que estão divididas numa síntese criativa que é mais do que a soma das metades em conflito. E esse processo só se inicia quando reconhecemos que somos seres divididos, aprisionados entre dois princípios opostos que contêm em si próprios a promessa da sua reunião.
Só que no mundo prático, concreto, pragmático e racionalista em que vivemos ninguém nos ensina que podemos ser duais, conflitantes, contraditórios – e que essa é a nossa condição natural.

Ensinam-nos, sim, a sermos a metade do que temos cá dentro: lógicos, funcionais, performativos, eficientes, produtivos, racionais, fortes, idealmente ricos, seguros e poderosos. E pergunto eu: e a nossa outra metade, por que não admiti-la, como conectá-la, como a recuperar?
É porque existe essa falha, esse hiato, esse equívoco ontológico naquilo que nos ensinam a ser que inevitavelmente, mais tarde ou mais cedo no nosso percurso de vida e por mais de uma vez, somos confrontados com a necessidade imperiosa de reencontrar a outra metade de nós – as partes que foram reprimidas, esquecidas, relegadas para o domínio do que não vivemos voluntariamente.
E é nesses momentos que a vida, na sua infinita paciência e sabedoria, nos convida a um reencontro com o 'outro' de nós próprios. E só porque não lhes reconhecemos imediatamente a oportunidade e o objetivo que encerram, vivemos esses momentos como crises. E procuramos ajuda numa terapia, num psicanalista, numa religião, num ensinamento espiritual.
E o poder dessa ajuda varia na forma mas não na essência: guiar-nos no processo de religar o que em nós estava separado. Esse é o gesto verdadeiramente religioso ou espiritual. Não é por acaso que a raiz etimológica de religião é 'religare', que significa 'voltar a unir'.
Unirmo-nos a nós mesmos e sermos um e mais amplos: essa é a verdadeira proposta de evolução espiritual."

Nuno Michaels

Imagem: renascimento.files.wordpress.com

sábado, 23 de fevereiro de 2008

AMAR


Amar

“Sabes tu o que quer dizer amar, sentir o teu coração tão repleto de alegria e gratidão que tu não possas contê-las, sendo necessário que transbordem em direcção a toda a gente à tua volta? É uma magnífica sensação de bem-estar, e de unidade com toda a vida. Receio, ódio, ciúme, inveja e avareza desaparecem quando existe amor, pois não há lugar para as forças negativas e destrutivas na presença dele.

Quando o teu coração estiver frio e tu não demonstrares amor algum, não desesperes, mas procura à tua volta e encontra algo que possas amar. Pode ser uma coisa muito pequena, mas essa pequena centelha terá a capacidade de incendiar todo o teu ser até que o amor se acenda em ti. Uma pequena chave pode abrir uma grande porta. O amor é a chave para cada porta fechada.

Aprende a utilizá-lo até que todas as portas tenham sido abertas. Começa por onde estás. Abre os olhos, abre o teu coração, descobre algo que seja necessário e dá-lhe resposta.”

Eileen Cady (co-fundadora de Findhorn), Abrindo Portas que Há em Nós

Imagem: www.mtf.pt

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A Teoria "M"


Site do You Tube com um dos mais importantes documentários
da BBC de Londres sobre as mais recentes conclusões científicas da Física e
da Matemática a respeito do Universo e sua constituição. Impressionante!

(Cerca de 45 minutos de duração)

http://www.youtube.com/watch?v=o9LV9vaGxJQ

Imagem: Google

sábado, 16 de fevereiro de 2008

A Prosperidade

"A prosperidade é o nosso estado natural e requer que acreditemos nela. Tudo o que co-criamos provém das nossas crenças conscientes e inconscientes. As áreas da nossa vida onde as coisas apresentam mais problemas e padrões negativos repetitivos indicam que há uma necessidade inconsciente de manter essa condição manifesta na nossa vida. Quando percebemos que necessidade é essa – de amor, de validação, de pertença, de não abandono, etc. – aprendemos a nutrir esse défice da nossa criança interior curando essa condição: conseguimos transformar os comportamentos sabotadores e abrimo-nos a receber maior abundância em qualquer área da vida.

Existem em todos nós, a um nível muito profundo, camadas de antigos condicionamentos que funcionam como bloqueios à prosperidade. As afirmações são preciosas, assim como outras técnicas, para os transformarmos consistentemente e com êxito, mas é preciso que sejam acompanhadas de uma mudança de atitude, ou seja, que a acção acompanhe a nossa intenção de mudança.

Está cientificamente comprovado que o nosso cérebro só consegue ver aquilo que acredita ser possível, ou seja, criamos a realidade associando-a com as memórias já armazenadas no cérebro. Isto significa que o que vemos é a interpretação de algo que identificamos por associação ao que já conhecemos e que vamos buscar ao nosso banco de memórias. Assim, a realidade que vemos é uma reprodução de associações determinadas pelas nossas crençaspor isso “Um Curso em Milagres” diz que nunca estamos zangados pelas razões que imaginamos, mas porque fazemos no agora uma associação com algo muito mais antigo. Nós só vemos o passado; o que estamos a construir agora na nossa vida, vamos vê-lo no futuro.

A matéria não é o que pensávamos ser. A realidade é um potencial infinito de possibilidades, até nós escolhermos a que queremos, de acordo com os nossos preconceitos, ou crenças. TEMOS QUE COMEÇAR A PENSAR NAS COISAS, NO MUNDO E NA VIDA, COMO POSSIBILIDADES E NÃO COMO OBJECTOS QUE EXISTEM SEM A NOSSA INTERVENÇÃO E ESCOLHA.

O universo precisa da nossa atenção para existir....

Materializamos aquilo em que acreditamos. Então, precisamos de abrir mais a nossa consciência para ir para além do conhecido e para podermos aceitar receber mais da vida. Só nos é dado o que podemos receber.

Outro aspecto importante que gera prosperidade é darmos mais do que recebemos, nos nossos serviços e na nossa vida; é acrescentar sempre algo mais e ocupar todo o espaço possível naquilo que fazemos. Quem não ocupar todo o espaço não progride. É preciso não ficarmos aquém do que podemos dar, para podermos ser preenchidos com mais. A nossa mente é dual e por definição, dividida. Nela surge o medo, a dúvida que divide e atrasa ou bloqueia o fluxo de prosperidade. Precisamos de nos ligar mais ao processo do salto quântico num universo que nos pede que saibamos dar cada vez mais testemunho de nossa divindade imanente."

Vera Faria Leal

Imagem: "Abundância" (www.portais.org/)

sábado, 9 de fevereiro de 2008


POR UMA NOVA ORDEM SIMBÓLICA

Rose Marie Muraro

Cada espécie animal percebe o real segundo a vida que lhe é peculiar. A espécie humana relaciona-se com ele através dos seus sistemas simbólicos e por isso é a única que o pode transformar. Mas, embora a capacidade de simbolizar seja inata, o seu uso varia através dos tempos.
É através dos sistemas simbólicos que os seres humanos pensam, falam, comunicam e criam as suas leis de comportamento e portanto os seus sistemas sociais políticos e económicos. Esses sistemas variaram muito nos dois milhões de anos de vida da nossa espécie e principalmente nos últimos dez mil anos do período histórico. O grande erro dos pensadores desta época foi tomar como biológicos e imutáveis sistemas que foram socialmente construídos.
Isto aconteceu por exemplo com os psicólogos do fim do século XIX e inícios do século XX principalmente Freud e Lacan. Freud afirma que a natureza foi madrasta com a mulher porque ela não tem capacidade de simbolizar como o homem. Lacan afirma que o simbólico é masculino e que “a mulher não existe” porque não tem acesso à ordem simbólica. A palavra pertence ao homem e o silêncio à mulher. Segundo ele o simbólico é estruturado pela
cadeia de significantes cujo grande organizador é o Falo. Este ao mesmo tempo é metáfora do órgão sexual masculino e do
poder. Assim o Poder (que é essencialmente masculino) é o Grande Outro ao qual implícita ou explicitamente todos os actos simbólicos humanos se referem, incluindo pensamentos, gestos, leis até os sistemas macro políticos e económicos.
E de facto ele tem razão. A realidade humana é gendrada (gendered), como gendrados somos todos nós. Todos os sistemas simbólicos actuais foram sendo fabricados por e para os homens. Leis, gramática, crenças, filosofia, dinheiro, poder político e económico, tudo.


No entanto na última metade do século XX algo novo acontece. Os dois grandes resultados da sociedade de consumo são a entrada da mulher no mercado mundial de trabalho (uma vez que o sistema fez mais máquinas do que machos) e a destruição dos recursos naturais (porque os retirou da natureza num ritmo mais acelerado do que esta poderia repor). As mulheres entram nos sistemas simbólicos masculinos no momento em que estes se mostram destrutivos da vida.
A tarefa monumental que os movimentos de mulheres e as mulheres como um todo têm hoje é de construir uma nova ordem simbólica não mais centrada sobre o Falo (o poder, o matar ou morrer que é a sua lei), mas uma nova ordem que possa permear desde o inconsciente individual até aos sistemas macroeconómicos, agora estruturada sobre a Vida.
Estas reflexões não poderiam estar a ser feitas se este trabalho já não estivesse em curso. Já está a ser construído um consenso entre os povos contra uma dominação global que exclui o grosso da humanidade, e sobre uma nova ordem que inclua uma relação complementar entre os géneros, uma família democrática, um tipo de relação económica que não transfira a
riqueza de todos para os poucos que dominam, que inclua relações comerciais económicas menos desumanas e destrutivas.
As mulheres já estão entrando nos sistemas simbólicos masculinos não só nas instituições convencionais (empresas, partidos, etc.) mas através de outras, muitas vezes na contramão da história (lutas populares, ecológicas, pela paz, etc., onde são a grande maioria). Elas estão a construir uma nova ordem simbólica cujo Grande Outro é a Vida (viver e deixar viver) e a ajudar a desconstruir esta ordem universal de poder. E se não trabalharmos nesta profundidade, por mais que se transformem as estruturas económicas antigas elas tenderão a voltar.
Ou substituímos a função estruturante do Falo pela função estruturante da Vida, ou não teremos mais nem Falo nem Vida.

http://www.geocities.com/rogelsamuel/rose5.html (adaptado)

Imagem: www.salves.com.br


Ave Maria para o III Milénio


Chama-me do futuro
uma mulher de olhos mansos
onde arde um fogo claro e baixo
-inextinguível como os tempos

apela
de dentro do seu silêncio antigo
para essa face
(que sempre supus mais tenra)
no que agora eu sou

do amanhã
caminha até mim
a impugnar caducas rotas
vencidas sendas
de um mundo a esboroar-se

Trajada de mistérios poderosa maga
vetusta caminhante
pelos troços do sigilo e da omissão
viaja ora por alcançáveis horizontes
iniciadora e sábia
como as secretas vozes deslembradas
ora remota e vaga
logo cercana palpitante
no presságio
da Vida por chegar

Vinda do futuro coberta pela aurora
caminha
coroada pelos sonhos das estrelas
Reveladora de indescritíveis plenitudes
acolhe no brando seio
piedosa e alquímica
o tormentoso caudal de todos os meus prantos

Vem do futuro
mas segue ainda pela orla dos finitos
já impressora de desconhecidas ondas indeléveis cores
na rota dos que ousam
recebê-la

Vacilo
logo sou ela
recuo
já o não sou

Antiga companheira força latente
amada mãe portadora da luz
guardiã dos dias de ouro e de cristal
anárquica regeneradora dos velhos caminhos
madre excelsa
mãe amantíssima
fluxo rebelde
cântico dos amanhãs
desperta alba
suave mensageira
da mudança e do perdão
porto da esperança
útero original
pátria dos poetas
arcanjo das artes
mãe da intrepidez
padroeira dos audazes
matriz do sonho
fogo da terra
barca divina
dissipadora das trevas
mãe corajosa
vaga de clemência
bálsamo dos párias
rosa secreta
estrela dos alvores
princípio iniciático ao Sonho e aos arcanos
de todos
e por todos
os saecula saeculorum…

Reinarás na Terra
chamejante e pura
pelo coração da liberta humanidade


Mariana Inverno
Fundadora do PROJECTO Art for All

Imagem: www.rosanevolpatto.trd.br/Gaia5.gif


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Adorei este Encontro no Feminino - óbvio. Foi um momento inesquecível que agradeço à vida e às magníficas mulheres que nele participaram.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Primavera



Acaba de me ser enviado pelo Carlos Garrido este magnífico poema. Embora ainda estejamos só no início de Fevereiro, quero partilhá-lo aqui convosco e agradecer ao Carlos por esta bênção antecipada...


Primavera

Cecília Meireles


A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem
acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A
inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da
mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo
chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse
mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e
os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos
cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos
começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas
borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente
conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando
as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos
procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores
cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma
Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com
os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de
incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece,
e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os
homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem,
independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os

pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os
ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo
que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao
sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul.
Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas
estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente
estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai
tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos
brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do
perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao
vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da
eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Imagem: Google

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Estar vivo...


Copiado do blog de Rosa Leonor:

"Nós estamos em plena floração. Há uns anos atrás, nós éramos pétalas fechadas sobre si próprias.
E, quando tu te encontras abatido, se é o caso, pede ao teu Eu Superior para mostrar a Rosa do teu coração.
Para mostrar o compasso de abertura em que se encontra o teu Ser Psíquico. Em que se encontra a força da Alma, abrindo-se nas trevas da velha história, tal como Ela se encontra saturada no nosso código genético antigo.
Pede isto... Pede para ver a abertura da Flor... "
(...)
E, estar Vivo, aos olhos da Lei Cósmica Superior, implica, simplesmente, o Ser pulsar a sua consciência, além de qualquer suporte que ele utilize. Significa o Ser pulsar a sua consciência, além do imediato. Estar Vivo significa saber, por osmose, por união, a quem nós pertencemos. Isso significa beber disto, desta realidade, pela taça do coração. Estar Vivo é beber da taça do coração. Abaixo desta taça, nós podemos falar de semi-vida, de para-vida, de quase-vida, de pro-vida...
Mas, estar VIVO, do ponto de vista Cósmico Superior, é beber desta Taça, é beber deste Leite, é comungar deste Pacto com o Divino. Todo irradiante...
EXCERTOS - ANDRÉ LOURO DE ALMEIDA 2002

Imagem: Rosa Meditativa, Salvador Dali (1958)

domingo, 3 de fevereiro de 2008

O Verdadeiro Poder


"À primeira vista, a vergonha e o abandono do controlo parecem ter pouca relação com o poder. Estão, porém, ligados, porque exercer o controlo e o poder sobre os outros é uma resposta directa à vergonha, a nível celular, e uma tentativa de a suprimir.

Vocês colocaram a vergonha nas células para impedir que pudessem sentir o verdadeiro poder!

Portanto, o verdadeiro poder é, simultaneamente, a arma para lidar com a vergonha e o resultado obtido depois dela ser removida das células. O verdadeiro poder é um "estado de ser", não um "estado de fazer". "Fazer" o poder é o método antigo; "ser" o poder é expressar o ESPÍRITO. Isto não quer dizer, todavia, que devas sentar-te numa almofada e passes o resto da vida a irradiar energia. Podes actuar... mas com uma diferença: agora, as acções provêem desse lugar interno calmo e sereno, que sabe ser uma força imensa e ilimitada trabalhando harmoniosamente com Tudo O Que É.

Precisamente da mesma forma em que "O Tao acerca do qual se pode falar, não é o Tao", o poder que deve actuar não é o verdadeiro poder. O verdadeiro poder é forte e humilde ao mesmo tempo, porque conhece a sua força. A força significa caminhar sem medo, uma vez que temer seja o que for nega a habilidade individual de alguém criar a sua própria realidade.

  • Caminha envolto em segurança porque já não há estranhos, porque estás em harmonia com a Natureza e com as suas criaturas.
  • Ama livremente através do verdadeiro poder, porque já não receias nem a rejeição, nem a dor.
  • Dá a apartir de ti mesmo, sabendo que a rejeição é um sinal de que os outros são incapazes de receber o que tu és!
  • Deixa de competir com os demais, porque a competição implica vergonha e nega a mestria de uns e outros; reconhece que, em última instância, estás a competir contra ti mesmo. O verdadeiro poder coopera sem egoísmo, reconhecendo que ninguém o pode explorar.
  • Perdoa incondicionalmente, sabendo que fluis através da vida, reconhecendo que comparticipas na criação de cada acontecimento da tua vidas.
  • Não atires a culpa para cima de ninguém, nem sequer de ti mesmo, porque vives permanentemente na esteira do ESPÍRITO.
  • Não julgues nada nem ninguém, pois o julgamento está ancorado na vergonha; ao invés, considera o ESPÍRITO para saber o que é verdadeiro em cada momento. A partir desta perspectiva passas a ver tudo com os olhos do ESPÍRITO, que se expressa e passa a trabalhar através da tua personalidade.
Talvez não vejas a perfeição na resposta dos outros; saberás, contudo, que não és o seu juiz e que lhes dás o espaço de que necessitam, sem te enredares nas situações em que estão envolvidos. E, se o sofrimento te visitar, não o evites; experimenta-o e honra a tua criatividade por o teres manifestado. A marca da pessoa verdadeiramente poderosa é a sua habilidade de se compartilhar a si mesma com os outros, permitindo que o amor do ESPÍRITO lhes chegue, sem restrição.

Tal como já vimos, o amor não é algo que se "faça", mas sim algo que se permite que seja. O amor é algo que só ocorre quando alguém se permite vivenciar o seu próprio poder."

Mestre Serapis
Imagem: www.uta.edu/.../Private/Earth%20in%20Hands.jpg