sábado, 20 de outubro de 2007

Diário de Viagem de Leyla a Findhorn

Num instantinho, no intervalo da correcção de trabalhos dos alunos, fui espreitar o Diário de Viagem de Leyla a Finhhorn. Em Setembro, Leyla viajou pelo Sul de França, acompanhada de amigos. É delicioso ler a redução desta geografia a uma visão pessoal e intimista. Diários de viagem são janelas que uma alma abre sobre os seus locais de deambulação.

Às tantas, o fascínio dela é contagiante; acabo por me sentir na pele de Leyla, também eu entusiasmada com a visão e a actividade daqueles que se empenham em construir modelos de vida alternativos, cheios de esperança e apostando na renovação de um mundo que por toda a parte nos dizem que está em desagregação... Modelos de vida comunitária, em que deixamos de estar centrados na nossa vidinha, dentro dos limites apertados do nosso apartamento, e em que nos unimos a outros com um propósito que nos transcende...

A imagem foi retirada de um sítio que me parece muito interessante e a propósito:

simplicidadevoluntaria.com

HÉCATE, A SÁBIA

Jean Shinoda Bolen, autora de As Deusas e a Mulher Madura
(imagem Google)
Foi muito difícil escolher uma entre tantas possíveis: Louise Hay, Maria de Lurdes Pintassilgo, Maria Flávia de Monsaraz, Elizabeth Kübler Ross, Sophia de Mello Breyner, Natália Correia...

"A nossa sociedade tem preconceitos terríveis sobre o envelhecimento. As mensagens que as mulheres com mais de cinquenta anos recebem sobre “aquilo que irá acontecer-lhes” no futuro são ridículas, profundamente difamadoras e, na sua grande maioria, não correspondem à realidade. De acordo com essa publicidade, parece que toda a pessoa que envelhece se torna deprimida, cansada, incontinente, senil, esquecida e, pior, essa mesma publicidade deixa no ar a ideia de que são pessoas frágeis que constituem um peso para a sociedade. Não é de admirar, portanto, que muitas mulheres depois dos cinquenta façam cirurgias estéticas porque, de facto, cada vez menos a nossa sociedade lhes dá o espaço e o valor que elas merecem.

Nos bastidores movimentam-se as empresas farmacêuticas que querem vender os seus produtos. Consequentemente, elas criam campanhas que culpam as mulheres, se não utilizam hormonas, ou outros medicamentos. Tal é o medo que provocam acerca do acto natural que é envelhecer, que conseguem fazer-lhes acreditar que, se a partir da menopausa não optarem por tomar tal ou tal produto, irão desfazer-se, adoecer e morrer antes da hora certa.

(...)

A mulher que no decorrer da sua vida passou por todas as fases de desenvolvimento físico e psicológico, através da menstruação e da maternidade, está, enfim, preparada para
ser ela mesma e encarar os mistérios da vida. A menopausa é a fase da purificação interna da essência feminina que se vincula com o mito de Hécate, Deusa da Sabedoria, resultante da assimilação positiva, e muitas vezes dolorosa, da experiência “do ser mulher”. Esta parte do seu arquétipo pode também ser utilizada para purificarmos e libertarmos coisas que sabemos que não são mais necessárias, ou que estão a atrasar o nosso crescimento."

In O Feminino Reencontrado, Nathalie Durel Lima, Ariana Editora