terça-feira, 16 de outubro de 2007

Uma Mulher Hera

Hilary Clinton

Uma Mulher Hera que soube assumir o seu próprio poder apesar da imponência do seu marido Zeus...

(Em "O Feminino Reencontrado", de Nathalie Durel Lima, Ariana Editora, encontramos uma análise muito interessante deste autêntico casal do panteão olímpico, só que aqui com uma Hera sábia e triunfante...)

"É importante que as mulheres retomem os seus poderes e se tornem cidadãs activas e brilhantes, que defendam valores diferentes daqueles defendidos pelo homem..."(Nathalie Durel Lima, O Feminino Reencontrado)

"Maria Madalena é uma referência do feminino, um apelo para que nós mulheres possamos relacionar-nos sem trairmos a nossa essência. Ela ensina-nos como sermos mulheres de poder e aceitarmos que o outro também o seja." (idem)
Imagem: google

Uma Mulher Ártemis

"A pintora Americana Georgia O´Keeffe foi uma mulher Afrodite-Ártemis que nunca desistiu da sua maneira de ser. Ela teve a capacidade de poder viver sozinha no deserto do Arizona. Era considerada pelo patriarcado como uma mulher rebelde, que viveu em sintonia com a sua essência e que aceitou que tudo tem um preço. Infelizmente, a nossa sociedade não reconhece este tipo de mulher que facilmente é catalogada de “rebelde” pela sua irreverência ou de “prostituta” por ser independente sexualmente. Ela não encaixa nos moldes pré-estabelecidos."

In O Feminino Reencontrado, Nathalie Durel Lima", Ariana Editora

Acabo de receber este endereço:

http://www.ellensplace.net/okeeffe1.html

O Poder da Linguagem das Deusas

"Símbolo dos três aspectos da Grande Deusa, a Deusa Tripla, trindade original, constitui a mais antiga representação da divindade múltipla" (in http://www.jardinsoleil.com)

“De acordo com a teoria Junguiana, as deusas são arquétipos, o que equivale a dizer fontes derradeiras dos padrões emocionais dos nossos pensamentos, sentimentos, instintos e comportamentos que poderíamos chamar de “femininos”, na acepção mais ampla da palavra. Tudo aquilo que concebemos com criatividade e inspiração, tudo o que acalentamos, que amamentamos, de que gostamos, toda a paixão, desejo e sexualidade, tudo o que impele a união, a coesão social, a comunhão e a proximidade humana; todas as alianças e fusões; e também todos os impulsos de absorver, destruir, reproduzir e duplicar, pertencem ao arquétipo universal do feminino. Entretanto, a psicologia académica moderna, com o seu amor pelas abstracções masculinas, prefere usar a linguagem racional e espiritualmente insensibilizante dos “instintos”, “impulsos” e “padrões de comportamentos” – palavras que não geram imagens na imaginação, nem provocam lampejos de reconhecimento na alma. Como disse certa vez James Hillman, o psicólogo dos arquétipos, a “linguagem da psicologia é um insulto à alma”.

No entanto, os Gregos e todas as culturas antigas, percebiam essas energias não como abstracções destituídas de alma, mas sim como forças espiritualmente vitais, ou energias que estão exercendo continuamente influências poderosas sobre os nossos processos psicológicos.
Quando conseguiam reconhecer as forças espirituais que activavam e esclareciam determinados aspectos do comportamento e da experiência humana, chamavam esses fenómenos de “compulsões dos deuses e das deusas”. (Texto extraído da obra “A Deusa Interior ”, de Roger J. Woolger, Ed.Cultrix)
http://terapiadamulher.blog.com/653746/(adaptado)
Imagem: www.jardinsoleil.com

A DEUSA INTERIOR


“A idéia do feminino, há muito tempo suprimida pelas sociedades patriarcais e pelo Cristianismo, cumpriu um importante papel na mitologia e nas religiões antigas. A noção de que as deusas, como Atena, Afrodite, Deméter, Ártemis, Hera e Perséfone, simbolizam características encontradas individualmente nas mulheres está mais uma vez em voga. Os arquétipos das deusas validam as mulheres por aquilo que elas são e não por aquilo que a sociedade diz que elas deveriam ser. Como tal, as deusas são uma fonte de liberdade e de compreensão, que pode ser contactada por qualquer mulher, não importando o caminho de vida que escolheu.

"A Deusa Interior é um guia fascinante sobre as qualidades das deusas que vivem dentro de nós. Baseado numa pesquisa realizada pelos autores, num período de dez anos, sobre a psicologia da deusa, este livro é um exemplo fascinante de como aplicar essa abordagem dinâmica à sua vida, enriquecer o seu auto-conhecimento, libertar-se de expectativas limitadoras e orquestrar os pontos de mutação na sua vida ao compreender que tipo de deusa está mais predominante. O mais importante é que os autores enfatizam a necessidade de harmonia entre as várias qualidades das deusas: permitir que uma deusa domine a personalidade é negar a riqueza que está disponível quando se tem todas as deusas em equilíbrio. Maravilhosamente positivo e profundo nas suas implicações, este é um livro que irá ajudar a posicionar o feminino no seu devido lugar na consciência actual e oferecer às mulheres e aos homens a oportunidade única de aprender mais a respeito do poder de se transformarem a si mesmos.”

(Texto de apresentação do livro A DEUSA INTERIOR, de Roger J. Woolger, Ph. D., Ed. Cultrix; em http://www.submarino.com.br/books)

A Solidão Intencional

Arquétipo dominante: Héstia, a deusa do Lar e da interioridade...


«Para ter esse intercâmbio com o feminino selvagem, a mulher precisa de deixar temporariamente o mundo, colocando-se num estado de solidão – aloneness – no sentido mais antigo do termo. Antigamente, a palavra alone (só) era tratada como duas palavras, all one. Estar “all one” significava estar inteiramente em si, em sua unidade, quer essencial quer temporariamente. Ela é a cura para o estado de nervos em frangalhos tão comum às mulheres modernas, aquele que as faz “montar no cavalo e sair cavalgando em todas as direcções”, como o diz um velho ditado.

A solidão não é uma ausência de energia ou de acção, como acreditam algumas pessoas, mas sim um tesouro de provisões selvagens a nós transmitidas a partir da alma. Nos tempos antigos, a solidão voluntária era tanto paliativa quanto preventiva. Ela era usada para curar a fadiga e para evitar o cansaço.

Era também usada como um oráculo, como um meio de se escutar o self interior , a fim de obter conselhos e orientação que, de outra forma, seriam impossíveis de ouvir no burburinho do dia-a-dia.

As mulheres dos tempos antigos, assim como as mulheres aborígenes modernas, reservavam um local sagrado para essa indagação e comunhão. Tradicionalmente, diz-se que esse lugar era reservado para a menstruação, pois durante esse período a mulher está muito mais próxima do autoconhecimento do que o normal. A membrana que separa a mente consciente da inconsciente fica, então, consideravelmente mais fina. Sentimentos, recordações e sensações, que normalmente são impedidos de atingir a consciência, chegam ao conhecimento sem nenhuma resistência. Quando a mulher procura a solidão durante esse período, ela tem mais material a examinar.

Como na história, se fixarmos uma prática regular de solidão voluntária, estaremos propiciando uma conversa entre nós mesmas e a alma selvagem que se aproxima da terra firme. Agimos assim não só para “estar perto” da nossa natureza selvagem e profunda, mas, como na tradição mística desde tempos imemoriais, o objectivo dessa união é o de que nós façamos perguntas e de que a alma dê conselhos.

Como se pode invocar a alma? Há muitas formas: pela meditação, pelos ritmos da corrida, do toque de tambor, do canto, do acto de escrever, da pintura, da composição musical, de visões de grande beleza, da oração, da contemplação, dos ritos e rituais, de ficar parada e até mesmo de ideias e disposições de ânimo arrebatadoras. Tudo isto pode transformar-se em convocações psíquicas que chamam a alma da sua morada até à superfície.»

Clarisse Pinkola Estés, Mulheres que correm com os lobos, Rocco

Imagem: gerard.beuchot.free.fr