sexta-feira, 7 de setembro de 2007

EMPREGO OU VOCAÇÃO?

ATENA, deusa grega, do Pensamento, das Artes, das Ciências e das Indústrias, filha de Zeus, divindade epónima de Atenas, assimilada a Minerva pelos romanos (Lello Universal)
(imagem Google)

"Enquanto deusa da Sabedoria, ATENA era conhecida pelas suas estratégias vitoriosas e soluções práticas. Enquanto arquétipo, ATENA é o padrão seguido pelas mulheres lógicas, mais dominadas pela cabeça do que pelo coração.
ATENA é um arquétipo feminino: revela que pensar bem, não perder a cabeça no calor de uma situação emocional e desenvolver boas tácticas no meio de um conflito são traços naturais de algumas mulheres. Estas mulheres estão a ser como ATENA e não a agir "como um homem". O seu aspecto masculino, ou animus, não está a pensar por ela: é ela própria quem está a pensar bem e com clareza."

Jean Shinoda Bolen, As Deusas em Cada Mulher



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Acabo de ler, na revista Activa deste mês de Setembro, um artigo com um título apelativo e inspirador: Sabe negociar o seu valor? e cujo tema é a carreira profissional.

Já pensava escrever algo sobre este assunto, sobretudo depois do post Escravas ou Rainhas? em que Marianne Williamson nos diz que uma das coisas que as mulheres usam para "preencherem o vazio" é um "emprego". Achei que esta afirmação poderia dar azo a más interpretações, poderia eventualmente pensar-se que a autora sugere que as mulheres não deveriam ter vida profissional... Não é o caso, embora tenha ficado a saber há tempos, num dos programas da Oprah, que nos Estados Unidos há actualmente um forte movimento de jovens mulheres que aspiram muito simplesmente a reviver o velho modelo da fada do lar, dispondo-se para isso a abdicarem de vida profissional e a dedicarem-se inteiramente à família...
Entretanto, contestando essa tendência, num livro recentemente publicado também nos Estados Unidos, The Feminine Mistake (O erro feminino), a autora, Leslie Bennetts, analisa em profundidade os benefícios não monetários do trabalho para as mulheres: "é muito importante que as mulheres planeiem carreiras com um trabalho valorizante bem adaptado aos seus talentos, para além de um salário. O trabalho pode dar às mulheres não só uma segurança económica, mas redes sociais gratificantes, estímulo intelectual, satisfação criativa, orgulho em realização individual, e um sentido independente de oportunidade que ajuda a fortificar as mães face ao que se chama de "ninho vazio", o momento em que os filhos deixam a casa."(in Público, 15/06/07)
Mas é óbvio que um “emprego” é algo muito diferente de uma carreira onde eu sinta que aplico todo o meu potencial, as minhas capacidades, o meu talento, a minha vocação.

A este propósito, Em Matar o Macaco, Colin Turner afirma: "A sua vocação é algo por que todas as fibras do seu corpo anseiam, que o estimula emocionalmente, o motiva mentalmente e o realiza espiritualmente. Como tal, é de suprema importância. Ter uma vocação e segui-la dá significado àquilo que fazemos."
Uau! Estamos a milhas de um "emprego", não?
O mesmo autor acrescenta ainda: "o processo de descobrirmos a nossa vocação implica que sejamos honestos e fiéis a nós mesmos. Quando somos nós próprios, tornamo-nos receptivos à compreensão daquilo que temos de fazer."

Estou certa de que Marianne Williamson concordaria com esta achega...

Posto isto, volto ao artigo da revista que referi no início, transcrevendo uma parte que me pareceu particularmente interessante:

Inteligência emocional mais valorizada

Os conceitos de talento e valor mudam ao longo do tempo. Passámos de uma economia de produção para uma economia de conhecimento. Luís Moura revela que, no seio da PT, existe um grupo alargado de talentos, chamado “sector crítico”, que, “pela sua atitude e perfil pessoal e profissional, tentamos que se mantenham na empresa”. Mas, afinal, o que define este perfil especial?

“São profissionais com capacidade de motivação de equipa, que fazem acontecer, que não só cumprem objectivos como fazem com que 1+1 seja mais que 2”, explica o responsável da PT.

Jorge Marques avança boas notícias: As mulheres são francamente melhores, especialmente no que toca a postos de chefia. Hoje, o perfil valorizado apela ao que se chama de inteligência emocional: grande intuição, capacidade relacional, criatividade, flexibilidade intelectual, maior abertura à inovação. Todas estas características são tipicamente femininas.”

Agora as más notícias (ainda segundo a mesma fonte):

Quanto mais alto o nível hierárquico e as habilitações, menos as mulheres ganham em comparação com os seus pares masculinos. As mulheres quadros superiores e dirigentes auferem uns chocantes 70% do rendimento masculino nos mesmos postos (INE, 2005).