terça-feira, 4 de setembro de 2007

ESCRAVAS OU RAINHAS?

“A cada momento a mulher faz uma escolha: entre a sua condição de rainha e a de escrava. No nosso estado natural somos criaturas magníficas. No mundo da ilusão, estamos perdidas e aprisionadas, escravas dos nossos apetites e do nosso desejo de falso poder. O nosso carcereiro é um monstro de três cabeças: uma é o nosso passado; outra a nossa insegurança; e a outra a nossa cultura popular.

O passado é uma história que existe apenas nas nossas mentes. Observe, analise, entenda e esqueça. Depois, o mais rapidamente possível, livre-se dele.

A nossa insegurança é inevitável na ausência de um significado pessoal. Sem um sentido de ligação a ideias mais profundas e mais nobres, estamos fadadas a lutar desesperadamente por coisas que preencham o vazio: um emprego, um relacionamento, a aparência, o corpo. Somos obcecadas pela ideia de que não somos perfeitas. Nem um nazi com uma metralhadora seria uma presença tão atormentadora.

A terceira cabeça do monstro é a cultura popular que mantemos colectivamente, gastando rios de dinheiro por ano. Ela não nos dá qualquer apoio em troca. A maioria dos filmes não aprecia a mulher, a maioria dos anúncios publicitários não aprecia a mulher, a maior parte da indústria da moda não aprecia a mulher, e a maioria das letras de rock não aprecia a mulher (uma pena, esta última – dantes apreciava). Como muitas esposas agredidas, procuramos incansavelmente o amor onde é impossível encontrá-lo. Devemos conscientemente decidir não fazer mais isso.

Até decidirmos, o monstro manter-nos-á aprisionadas na sua masmorra. Bem no fundo de nós, entretanto, há um compartimento de escape inato. Nele o amor nunca termina nem vacila, não ganha dinheiro à nossa custa, não nos engana, nem destrói os nossos corações. Ele é o âmago do nosso espírito. Nele vivemos como rainhas cósmicas: mães, irmãs, filhas do sol, da lua e das estrelas. Nesse reino, encontramos Deus, a Deusa, e os nossos amáveis egos. Ria de tudo isso por sua conta e risco.

O mundo exterior contém muitas fantasias, e essas fantasias exercem uma influência perniciosa sobre nós. Eu sei isso. Mas ouvi uns segredos espirituais, e você também os teria ouvido se estivesse atenta. Existem meios de transcender, meios de seguir adiante. Podemos deixar o monstro para trás. Podemos encontrar a libertação para os nossos corações e retornar a um mundo de rosas perfumadas.

Existe uma porta, uma porta verdadeira, uma passagem de oportunidade emocional, e somos perfeitamente capazes de entrar por ela. Os anjos mantêm-na aberta para todas nós. Mas temos de ser audaciosas. Mocinhas ingénuas não vêem anjos, portanto mocinhas ingénuas não encontram essa porta.”

Marianne Williamson, O Valor da Mulher, Rocco (adaptado)

Imagem: www.courtyardofromance.com