quarta-feira, 18 de julho de 2007

Pequenas listas de coisas


Encontrei num número da minha colecção de exemplares da Revista Xis, que já não se publica, este editorial de Laurinda Alves que me pareceu interessante como sugestão de férias.

"Fazer listas ou pequenos enunciados de propósitos é uma tendência comum e universal. Não há ninguém que não faça listas de coisas que quer fazer ou de compromissos que tem forçosamente que cumprir. Nesta altura do ano acontece frequentemente estarmos mais disponíveis para olhar para a frente com um certo alcance e método e, por isso mesmo, esta é uma altura de fazer pequenas listas de coisas. Não falo das obrigatórias mas de outras que, por serem mais íntimas, são mais transformadoras e nos podem levar mais longe. Falo de listas que nos permitem conhecer melhor os nossos recursos interiores, os nossos pontos fracos e fortes. Falo de pequenos enunciados prospectivos que nos ajudam a concentrar mais nos nossos projectos e, de alguma forma, exprimem os nossos desejos mais profundos.
Imagino que os mais cépticos não se entreguem facilmente a esta espécie de jogo mas, ainda assim, atrevo-me a sugerir algumas pistas de reflexão.
Os grandes especialistas em comportamento da actualidade são unânimes em considerar que a felicidade também é um acto de consciência. Ou seja, é a consciência do bem-estar num certo momento ou em determinada fase da vida que o transforma em felicidade. Por outro lado, a memória de tudo aquilo que nos faz felizes também multiplica a nossa felicidade. Nesta lógica, vale a pena fazer algumas listas. Nem que seja para perceber que, afinal, temos muito mais do que achamos que temos.
Os especialistas aconselham algumas listas que passo a transcrever, com uma breve nota sobre cada uma delas.
1. Todos os momentos felizes que vivi ao longo deste ano.
Porque nem sempre temos tempo ou distância suficiente para digerir tudo aquilo que vivemos e vale a pena fazê-lo.
2. Todas as pessoas de quem gosto muito e que gostam muito de mim.
Esta lista é especialmente importante para os dias de solidão e tristeza em que nos afundamos em sentimentos negativos.
3. Aquilo de que mais gosto naqueles que são importantes para mim.
As qualidades que reconhecemos nos outros muitas vezes devolvem as nossas próprias qualidades ou a nossa aspiração a melhorar certos aspectos da nossa personalidade.
4. As pequenas imperfeições que encontro naqueles de quem gosto.
Implica um sentido de observação, muita verdade e, também, aceitação. Ajuda a perceber as nossas imperfeições e a aceitá-las.
5. O que eu levo de positivo às relações com os outros.
Apesar das nossas imperfeições e defeitos, todos damos qualquer coisa especial aos outros. Importa identificar o quê.
6. Tudo aquilo que gostava de agradecer.
A gratidão é um sentimento poderoso e transformador. Potencia a felicidade na medida em que também é uma atitude positiva e regeneradora. Evita as ruminações e os sentimentos depressivos.
7. Todos os desafios que venci ao longo do ano.
Sem fazer comparações com os outros, sem falsas modéstias e, acima de tudo, com realismo e objectividade. Esta lista surpreende-nos sempre.
8. Os erros que não posso voltar a cometer.
Os falhanços são excelentes lições na medida em que mostram os caminhos que não devemos seguir e os comportamentos que devemos evitar. Essencial, portanto.
9. As coisas que me dão um prazer imediato no dia-a-dia.
Em todos os campos, pessoal, profissional, mais íntimo e menos íntimo. O prazer imediato traz uma grande sensação de leveza e de vitalidade. Podem ser prazeres contemplativos, também.
10. As coisas que me provocam mais stresse no dia-a-dia.
Para manter uma atitude positiva é importante conhecer os nossos "inimigos". Identificar os motivos do stresse ajuda incrivelmente a reduzi-los ou atenuá-los.
A possibilidade de fazer listas é interminável e cada um encontrará aquilo que mais convém às suas necessidades ou se adapta às suas circunstâncias. O importante é ser muito objectivo e verdadeiro. Por outras palavras: não fazer batota. Só assim as listas de projectos poderão ser cumpridas e os sonhos realizados."
Imagem: alfazenite.blogspot.com

NOVIDADES


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Melanie Reinhart em Portugal

http://www.nunomichaels.com/?p=487

Quíron, 6 de Março



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Esta é uma nova empresa para FESTEJAR EMOÇÕES, criada pela Ana Luísa Cachão, Madalena Villa-Lobos e Maria João Soares de Oliveira, à qual ofereço esta pub por acreditar no projecto delas, que é um projecto ao serviço do Amor:

"Na vida, ou fazemos parte da harmonia, ou fechamos os olhos a todos os sorrisos, à boa vontade, às coisas novas... e sobretudo ao Amor...
Os nossos sentimentos são sempre movimentos de energia. É assim que se manifesta o desejo de partilhar uma flor... uma ideia, ou apenas aquele momento que vai ficar guardado como um tesouro de quem dele se lembrou... e o soube oferecer a alguém que merece ser amado....
É tão fácil dar, quando o coração manda.

E nós ajudamo-lo se você quiser! Porque temos uma empresa cheia de ideias novas como se ela própria fosse esse grande amor… toda essa luz, esse progresso, essa vontade de se ser melhor pela recompensa de tanto se querer, de tanto se dar, e de tanto se amar... Criaremos para si os mais inesquecíveis momentos de Cerimónias para celebrar o Amor, a União e a Partilha! Descubra no nosso site www.festejar-emocoes.pt o que temos para lhe oferecer. Contacte-nos!

Madalena/Ana Luisa/Maria João


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Um fotógrafo da natureza, de Leiria, Filipe Silva, criou, esta bela página, para a qual solicita a nossa colaboração e/ou apoio. Trata-se de um trabalho muito importante e muito bonito, que merece todo o nosso apoio. A Mãe Terra agradece.

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Cibele Pinto Cardoso,autora deste blogue e também da minha foto, acaba de criar um serviço de fotografia personalizado, numa perspectiva de valorização pessoal, pensando especialmente em todas aquelas pessoas que de algum modo pretendam projectar a sua imagem junto do público. E não só...

cibele.picard@gmail.com

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Sobre o maravilhoso filme LADY CHATTERLY

Amei o livro quando o li há anos, e creio que não é a primeira versão cinematográfica que vejo, mas esta é bastante diferente e de facto arrebatadora. Foi realizada pela francesa Pascale Ferran e os intérpretes principais são perfeitos: Marina Hands e Jean-Louis Coullo’ch, ambos franceses, apesar dos apelidos.

A 15 de Junho, o Público trouxe uma reportagem sobre esta adaptação, que incluía dados bio e bibliográficos sobre D. H. Lawrence, autor do romance, e uma entrevista com a realizadora (disponível em cinecartaz.publico.pt) que representa um excelente complemento do filme porque a ouvimos verbalizar o que intuímos ao ver o seu trabalho.Ela diz a certa altura: "O que me interessou foi a narrativa minuciosa de um processo de amor entre duas pessoas que começa por uma atracção física e que, a partir dessa atracção, permite que elas se libertem das identidades que as encerram - identidades sociais, de homem e mulher, de esposa e de criado... E que é esse processo de transformação, de libertação que constrói uma vida. Foi isso que me interessou, porque isso dá-me esperança: ficamos com vontade de lutar, de inventar as nossas vidas."
É fabuloso o equilíbrio que se estabelece na relação destes dois seres tão díspares do ponto de vista social, mas tão semelhantes do ponto de vista da alma. Dois seres à partida tão fechados, mas no fundo tão inteiros em si mesmos, capazes de comungar com a natureza, capazes de se desnudarem e de criarem verdadeira intimidade entre si. E o amor ali é justo, íntimo e equilibrado como compreendemos que deva ser o relacionamento entre um homem e uma mulher.
Que frescura este cinema em comparação com os estereótipos de Hollywood!
Poucas vezes saí tão “lavada” dum filme em que a natureza é quase uma terceira (ou primeira?) protagonista; uma natureza linda, variando consoante as estações, intocada, exaltada na transparência das águas gélidas dos ribeiros, na variedade e exuberância das flores, dos musgos, das árvores, dos animais.