domingo, 21 de outubro de 2007

Reequilibrar a Poderosa Beleza do Feminino


"... precisamos de nos encontrar como mulheres e descobrir quem se esconde dentro de nós. Acho que chegou o momento de nos diferenciarmos e de demonstrarmos valores e comportamentos específicos do mundo das mulheres. As mulheres que ainda não descobriram o seu poder, e que ainda estão à espera que o “Príncipe Encantado” as venha salvar, precisam de acordar das suas ilusões e descobrir que o poder está dentro delas mesmas. As mulheres diferentes, as poderosas, as combatentes e as vitoriosas, devem “regar” os corações, sair da aridez mental, da intelectualização e da corrida pela eficácia e pela perfeição. A nossa tarefa é a de reequilibrar com consciência a poderosa beleza do feminino, e reencontrar o poder da nossa Deusa Interior."

"Tenho a certeza de que, cada vez mais, as mulheres irão dar luz a si próprias, em consciência, mas, para isso acontecer, é necessário que se encontrem consigo mesmas, e também com outras mulheres que já passaram por esta caminhada interior."

in O Feminino Reencontrado, Nathalie Durel Lima, Ariana Editora.

Imagem: www.net.rosas.com.br

sábado, 20 de outubro de 2007

Diário de Viagem de Leyla a Findhorn

Num instantinho, no intervalo da correcção de trabalhos dos alunos, fui espreitar o Diário de Viagem de Leyla a Finhhorn. Em Setembro, Leyla viajou pelo Sul de França, acompanhada de amigos. É delicioso ler a redução desta geografia a uma visão pessoal e intimista. Diários de viagem são janelas que uma alma abre sobre os seus locais de deambulação.

Às tantas, o fascínio dela é contagiante; acabo por me sentir na pele de Leyla, também eu entusiasmada com a visão e a actividade daqueles que se empenham em construir modelos de vida alternativos, cheios de esperança e apostando na renovação de um mundo que por toda a parte nos dizem que está em desagregação... Modelos de vida comunitária, em que deixamos de estar centrados na nossa vidinha, dentro dos limites apertados do nosso apartamento, e em que nos unimos a outros com um propósito que nos transcende...

A imagem foi retirada de um sítio que me parece muito interessante e a propósito:

simplicidadevoluntaria.com

HÉCATE, A SÁBIA

Jean Shinoda Bolen, autora de As Deusas e a Mulher Madura
(imagem Google)
Foi muito difícil escolher uma entre tantas possíveis: Louise Hay, Maria de Lurdes Pintassilgo, Maria Flávia de Monsaraz, Elizabeth Kübler Ross, Sophia de Mello Breyner, Natália Correia...

"A nossa sociedade tem preconceitos terríveis sobre o envelhecimento. As mensagens que as mulheres com mais de cinquenta anos recebem sobre “aquilo que irá acontecer-lhes” no futuro são ridículas, profundamente difamadoras e, na sua grande maioria, não correspondem à realidade. De acordo com essa publicidade, parece que toda a pessoa que envelhece se torna deprimida, cansada, incontinente, senil, esquecida e, pior, essa mesma publicidade deixa no ar a ideia de que são pessoas frágeis que constituem um peso para a sociedade. Não é de admirar, portanto, que muitas mulheres depois dos cinquenta façam cirurgias estéticas porque, de facto, cada vez menos a nossa sociedade lhes dá o espaço e o valor que elas merecem.

Nos bastidores movimentam-se as empresas farmacêuticas que querem vender os seus produtos. Consequentemente, elas criam campanhas que culpam as mulheres, se não utilizam hormonas, ou outros medicamentos. Tal é o medo que provocam acerca do acto natural que é envelhecer, que conseguem fazer-lhes acreditar que, se a partir da menopausa não optarem por tomar tal ou tal produto, irão desfazer-se, adoecer e morrer antes da hora certa.

(...)

A mulher que no decorrer da sua vida passou por todas as fases de desenvolvimento físico e psicológico, através da menstruação e da maternidade, está, enfim, preparada para
ser ela mesma e encarar os mistérios da vida. A menopausa é a fase da purificação interna da essência feminina que se vincula com o mito de Hécate, Deusa da Sabedoria, resultante da assimilação positiva, e muitas vezes dolorosa, da experiência “do ser mulher”. Esta parte do seu arquétipo pode também ser utilizada para purificarmos e libertarmos coisas que sabemos que não são mais necessárias, ou que estão a atrasar o nosso crescimento."

In O Feminino Reencontrado, Nathalie Durel Lima, Ariana Editora

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A Mulher Afrodite


Com Afrodite como arquétipo (altamente) dominante, a imagem de Marilyn Monroe continua a ser um manancial inesgotável de sensualidade, de beleza e de graça para a humanidade.

Apesar de tudo isso, a força deste arquétipo é das mais incompreendidas, desrespeitadas e maltratadas pela sociedade patriarcal - "rejeição do vínculo entre a sexualidade e a alma" (Nathalie Durel Lima, in O Feminino Reencontrado)

Imagem: profile.myspace.com

A Deusa Ferida em Todas Nós

Gaia - "preexiste a tudo, até ao próprio tempo. Gaia, a eterna, deusa maternal da terra pré-histórica, encarna a fertilidade misteriosa, húmida e activa." *

"É urgente, portanto, que compreendamos a natureza e a condição dos arquétipos femininos que estão despontando do inconsciente colectivo da nossa cultura. A primeira coisa que notamos é que, como qualquer pessoa que foi encarcerada, exilada, vituperada e caluniada, as deusas, ao serem restauradas nas consciências como princípios psico-espirituais, frequentemente parecem fracas, confusas, magoadas e feridas. Esses ferimentos devem-se ao tratamento áspero e cruel que receberam nas mãos da repressão patriarcal: Afrodite envergonha-se da sua sexualidade; Atena questiona a sua capacidade de pensar; Hera duvida do seu próprio poder; Deméter desconfia da sua fertilidade; Perséfone nega as suas visões; Ártemis não sabe interpretar a sua sabedoria corporal instintiva. Isso, e muito mais, é o legado do exílio psíquico do feminino.
Quando começarmos a examinar em detalhe a psicologia de cada uma das deusas, deveremos prestar atenção especial àquilo a que chamamos chagas das deusas; as mágoas profundas que todas elas sofreram, ferimentos que lhes foram infringidos durante a longa história da batalha psicológica pela supremacia, empreendida pelas forças masculinas na nossa cultura ocidental. Não importa se essas
chagas surgiram pela primeira vez com a hegemonia guerreira dos gregos antigos, com o imperialismo dos romanos ou com o medo puritano do feminino e do corpo entre certas facções do cristianismo.
A nós urge perguntar porque é que toda a mulher actual carrega dentro de si resquícios da chaga de uma deusa específica, que se vem apostemando há quase três milénios."
(in A Deusa Interior, Roger J. Woolgler, Ph. D. - filósofo e psicólogo junguiano, Ed.Cultrix)

in: http://terapiadamulher.blog.com/
*http://groups.msn.com/TaMissiondeVie2/lesdesses.msnw



terça-feira, 16 de outubro de 2007

Uma Mulher Hera

Hilary Clinton

Uma Mulher Hera que soube assumir o seu próprio poder apesar da imponência do seu marido Zeus...

(Em "O Feminino Reencontrado", de Nathalie Durel Lima, Ariana Editora, encontramos uma análise muito interessante deste autêntico casal do panteão olímpico, só que aqui com uma Hera sábia e triunfante...)

"É importante que as mulheres retomem os seus poderes e se tornem cidadãs activas e brilhantes, que defendam valores diferentes daqueles defendidos pelo homem..."(Nathalie Durel Lima, O Feminino Reencontrado)

"Maria Madalena é uma referência do feminino, um apelo para que nós mulheres possamos relacionar-nos sem trairmos a nossa essência. Ela ensina-nos como sermos mulheres de poder e aceitarmos que o outro também o seja." (idem)
Imagem: google

Uma Mulher Ártemis

"A pintora Americana Georgia O´Keeffe foi uma mulher Afrodite-Ártemis que nunca desistiu da sua maneira de ser. Ela teve a capacidade de poder viver sozinha no deserto do Arizona. Era considerada pelo patriarcado como uma mulher rebelde, que viveu em sintonia com a sua essência e que aceitou que tudo tem um preço. Infelizmente, a nossa sociedade não reconhece este tipo de mulher que facilmente é catalogada de “rebelde” pela sua irreverência ou de “prostituta” por ser independente sexualmente. Ela não encaixa nos moldes pré-estabelecidos."

In O Feminino Reencontrado, Nathalie Durel Lima", Ariana Editora

Acabo de receber este endereço:

http://www.ellensplace.net/okeeffe1.html

O Poder da Linguagem das Deusas

"Símbolo dos três aspectos da Grande Deusa, a Deusa Tripla, trindade original, constitui a mais antiga representação da divindade múltipla" (in http://www.jardinsoleil.com)

“De acordo com a teoria Junguiana, as deusas são arquétipos, o que equivale a dizer fontes derradeiras dos padrões emocionais dos nossos pensamentos, sentimentos, instintos e comportamentos que poderíamos chamar de “femininos”, na acepção mais ampla da palavra. Tudo aquilo que concebemos com criatividade e inspiração, tudo o que acalentamos, que amamentamos, de que gostamos, toda a paixão, desejo e sexualidade, tudo o que impele a união, a coesão social, a comunhão e a proximidade humana; todas as alianças e fusões; e também todos os impulsos de absorver, destruir, reproduzir e duplicar, pertencem ao arquétipo universal do feminino. Entretanto, a psicologia académica moderna, com o seu amor pelas abstracções masculinas, prefere usar a linguagem racional e espiritualmente insensibilizante dos “instintos”, “impulsos” e “padrões de comportamentos” – palavras que não geram imagens na imaginação, nem provocam lampejos de reconhecimento na alma. Como disse certa vez James Hillman, o psicólogo dos arquétipos, a “linguagem da psicologia é um insulto à alma”.

No entanto, os Gregos e todas as culturas antigas, percebiam essas energias não como abstracções destituídas de alma, mas sim como forças espiritualmente vitais, ou energias que estão exercendo continuamente influências poderosas sobre os nossos processos psicológicos.
Quando conseguiam reconhecer as forças espirituais que activavam e esclareciam determinados aspectos do comportamento e da experiência humana, chamavam esses fenómenos de “compulsões dos deuses e das deusas”. (Texto extraído da obra “A Deusa Interior ”, de Roger J. Woolger, Ed.Cultrix)
http://terapiadamulher.blog.com/653746/(adaptado)
Imagem: www.jardinsoleil.com

A DEUSA INTERIOR


“A idéia do feminino, há muito tempo suprimida pelas sociedades patriarcais e pelo Cristianismo, cumpriu um importante papel na mitologia e nas religiões antigas. A noção de que as deusas, como Atena, Afrodite, Deméter, Ártemis, Hera e Perséfone, simbolizam características encontradas individualmente nas mulheres está mais uma vez em voga. Os arquétipos das deusas validam as mulheres por aquilo que elas são e não por aquilo que a sociedade diz que elas deveriam ser. Como tal, as deusas são uma fonte de liberdade e de compreensão, que pode ser contactada por qualquer mulher, não importando o caminho de vida que escolheu.

"A Deusa Interior é um guia fascinante sobre as qualidades das deusas que vivem dentro de nós. Baseado numa pesquisa realizada pelos autores, num período de dez anos, sobre a psicologia da deusa, este livro é um exemplo fascinante de como aplicar essa abordagem dinâmica à sua vida, enriquecer o seu auto-conhecimento, libertar-se de expectativas limitadoras e orquestrar os pontos de mutação na sua vida ao compreender que tipo de deusa está mais predominante. O mais importante é que os autores enfatizam a necessidade de harmonia entre as várias qualidades das deusas: permitir que uma deusa domine a personalidade é negar a riqueza que está disponível quando se tem todas as deusas em equilíbrio. Maravilhosamente positivo e profundo nas suas implicações, este é um livro que irá ajudar a posicionar o feminino no seu devido lugar na consciência actual e oferecer às mulheres e aos homens a oportunidade única de aprender mais a respeito do poder de se transformarem a si mesmos.”

(Texto de apresentação do livro A DEUSA INTERIOR, de Roger J. Woolger, Ph. D., Ed. Cultrix; em http://www.submarino.com.br/books)

A Solidão Intencional

Arquétipo dominante: Héstia, a deusa do Lar e da interioridade...


«Para ter esse intercâmbio com o feminino selvagem, a mulher precisa de deixar temporariamente o mundo, colocando-se num estado de solidão – aloneness – no sentido mais antigo do termo. Antigamente, a palavra alone (só) era tratada como duas palavras, all one. Estar “all one” significava estar inteiramente em si, em sua unidade, quer essencial quer temporariamente. Ela é a cura para o estado de nervos em frangalhos tão comum às mulheres modernas, aquele que as faz “montar no cavalo e sair cavalgando em todas as direcções”, como o diz um velho ditado.

A solidão não é uma ausência de energia ou de acção, como acreditam algumas pessoas, mas sim um tesouro de provisões selvagens a nós transmitidas a partir da alma. Nos tempos antigos, a solidão voluntária era tanto paliativa quanto preventiva. Ela era usada para curar a fadiga e para evitar o cansaço.

Era também usada como um oráculo, como um meio de se escutar o self interior , a fim de obter conselhos e orientação que, de outra forma, seriam impossíveis de ouvir no burburinho do dia-a-dia.

As mulheres dos tempos antigos, assim como as mulheres aborígenes modernas, reservavam um local sagrado para essa indagação e comunhão. Tradicionalmente, diz-se que esse lugar era reservado para a menstruação, pois durante esse período a mulher está muito mais próxima do autoconhecimento do que o normal. A membrana que separa a mente consciente da inconsciente fica, então, consideravelmente mais fina. Sentimentos, recordações e sensações, que normalmente são impedidos de atingir a consciência, chegam ao conhecimento sem nenhuma resistência. Quando a mulher procura a solidão durante esse período, ela tem mais material a examinar.

Como na história, se fixarmos uma prática regular de solidão voluntária, estaremos propiciando uma conversa entre nós mesmas e a alma selvagem que se aproxima da terra firme. Agimos assim não só para “estar perto” da nossa natureza selvagem e profunda, mas, como na tradição mística desde tempos imemoriais, o objectivo dessa união é o de que nós façamos perguntas e de que a alma dê conselhos.

Como se pode invocar a alma? Há muitas formas: pela meditação, pelos ritmos da corrida, do toque de tambor, do canto, do acto de escrever, da pintura, da composição musical, de visões de grande beleza, da oração, da contemplação, dos ritos e rituais, de ficar parada e até mesmo de ideias e disposições de ânimo arrebatadoras. Tudo isto pode transformar-se em convocações psíquicas que chamam a alma da sua morada até à superfície.»

Clarisse Pinkola Estés, Mulheres que correm com os lobos, Rocco

Imagem: gerard.beuchot.free.fr



sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Aprender com o Urso

"Na psique, o urso pode ser compreendido como a capacidade de se regular a própria vida, especialmente a vida emocional. A força do urso está na sua capacidade de se movimentar em ciclos, de estar totalmente alerta ou de se acalmar entrando num sono hibernal que renova as suas energias para o ciclo seguinte. A imagem do urso ensina ser possível manter uma espécie de barómetro na nossa vida emocional, e especialmente que podemos ser ferozes e generosas ao mesmo tempo. Podemos ser lacónicas e prolixas. Podemos proteger o nosso território, deixar claros os nossos limites, abalar os céus caso seja necessário, e ainda ser disponíveis, acessíveis, férteis, tudo ao mesmo tempo.»

in Mulheres que correm com os lobos, Clarissa Pinkola Estés, Rocco (citada por Nathalie Durel Lima em O Feminino Reencontrado, Editora Ariana, a partir de Novembro/07)

Imagem: www.lowcucar.com.br

terça-feira, 9 de outubro de 2007

O Complexo de Cinderela

Gustave Doré, Cendrillon

"A escritora Colette Dowling criou uma teoria a que chamou “O complexo de Cinderela”,que relata e explica toda a problemática de mulheres que não conseguem assumir responsabilidades e cuidar de si-mesmas:

« ....a liberdade assusta. Ela apresenta-nos possibilidades para as quais não nos sentimos preparadas: promoções, responsabilidades, oportunidades de viajarmos sozinhas sem homens a conduzirem-nos, oportunidades de fazermos amigos por nossa conta. Todo o tipo de perspectivas rapidamente se abriu às mulheres; juntamente com isso, porém, vieram novas exigências: que cresçamos e paremos de nos esconder sob o manto paternalista daquele que escolhemos para representar o ente “mais forte”; que comecemos a basear as nossas decisões nos nossos pr6prios valores, e não nos dos nossos maridos, pais ou professores. A liberdade requer que nos tornemos autênticas e fiéis para connosco. Aqui é que surge a dificuldade. E ela surge repentinamente, quando não basta apenas sermos “uma boa esposa”, ou “uma boa filha”, ou “uma boa aluna”. Pois, ao iniciarmos o processo de separar de nós as figuras de autoridade a fim de nos tornarmos autónomas, descobrimos que os valores que julgávamos serem nossos não o são. Pertencem a outrém – a pessoas de um passado vivo e demais abrangente. Por fim a hora da verdade emerge:

“Realmente não tenho quaisquer convicções pr6prias.

Realmente não sei no que acredito».

Da obra a publicar brevemente "O Feminino Reencontrado", de Nathalie Durel Lima