domingo, 16 de setembro de 2007

O Retorno do Feminino

Erth Mother, self portrait, 1991 - Diana Vandenberg

"A dimensão receptiva, passiva
e interiorizada do Ser
é o pólo Yin,
o seu lado mais obscuro,
o que dificilmente hoje se manifesta.
Séculos de História,
criaram a supremacia do yang.
Esta supremacia deu origem a uma Cultura
predominantemente Masculina.
Com o Tempo, a afirmação Yang
levou à perda do Yin.

O nosso lado passivo, feminino
interiorizado, meditativo e receptivo,
deixou progressivamente de ser valorizado
pelo pensamento comum.
Sem se darem conta, as Mulheres
ficaram condicionadas e limitadas
por uma sociedade criada por Homens
e para Homens,
onde a sua contribuição feminina
não encontra lugar.
No século XX, a afirmação do Yang
tornou-se de tal modo radical,
que o comum das pessoas se perdeu
das experiências mais profundas da Vida,
reveladas pela dimensão interior.

Já ninguém sabe lidar com a noite,
com a pausa,
com os intervalos na acção,
com tudo o que existe
quando se acaba o movimento.

Não se valoriza o Silêncio,
o que não tem forçosamente que ser dito,
o que se subentende.

As pessoas perderam-se do Yin,
confundidas no Yang,
na afirmação extrovertida da personalidade,
nas conquistas,
nas guerras de todas as naturezas."

Maria Flávia de Monsaraz, O Retorno do Feminino
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