sábado, 22 de setembro de 2007

O SEGREDO DA ALEGRIA

Dadi Janki, por Diana Vandenberg

Acabo de fazer a descoberta de uma pintora chamada Diana Vandenberg, que realizou maravilhosos retratos de Sábias e Fortes Mulheres de Idade Avançada (entre outros), sendo uma delas a indiana Dadi Janki. Lembrei-me então de uma apresentação desta personagem feita por Jean Shinoda no seu livro Travessia para Avalon:

"Uma visita a Dadi Junki

Havia uma pessoa que Mrs. Detiger tinha para eu conhecer em Londres, antes de partirmos para o destino seguinte: era uma mulher da Índia chamada Dadi Junki: uma chefe espiritual discreta dos Brama Kumaris*, uma organização religiosa a nível mundial, louvada e influente, embora pouco conhecida, com sede no Monte Abu, no norte da Índia. Os "BK" eram a inspiração e a organização que estava por trás de um esforço de meditação internacional, "A Million Minutes for Peace", e os contemplados com o Peace Messenger Award, das Nações Unidas. Fomos ter com Dadi Janki ao centro dos Brama Kumaris, que não passava de uma casa banal numa rua residencial de Londres. Eu nunca ouvira falar dela e não tinha nenhuma ideia pré-concebida sobre Dadi ou o encontro.
Vestia um casaco de malha branco por cima de um sari indiano, simples e branco. Media menos uns bons centímetros do que eu, o que me impressionou muito, porque só tenho um metro e cinquenta e dois e é raro encontrar alguém mais baixo, exceptuando crianças. A cara era redonda e possuía um sorriso encantador: uma espécie de associação de um querubim com uma anciã, o que lhe dava um ar de quem não tinha idade. Encontrámo-la na sala de espera do primeiro andar. Acompanhava-a a irmã Jayanti, que traduzia qualquer coisa, uma vez por outra, mas Dadi Janki compreendia a maior parte com toda a facilidade. Em qualquer dos casos, a mim parecia-me que o seu meio de transmissão não eram as palavras. O que contava era a sua presença, não o aspecto nem o que tinha para dizer. Cumprimentou-nos com a saudação dos Brama Kumaris "Om Shanti", o que, como "Aloha" ou "Shalom", significa "olá", "adeus", e mais coisas. "Om Shanti" quer dizer "Sou a paz"", e era o que dela emanava - isso e um espírito profundamente jubiloso.
Eu iria encontrar Dadi Junki dois anos depois, na Índia, e mais uma vez ficaria impressionada pela combinação de alegria e sapiência que sentia emanar do seu ser, como acontece com o Dalai Lama. Em ambos há uma combinação de criança tímida e luminosa e de sábio. Estão no mundo real comprometidos a uma vida de serviço cujo esteio é a realidade do seu mundo espiritual. São detentores do segredo da alegria. Os arquétipos que personificam são universais, e se formos receptivos a tais arquétipos, há em nós uma ressonância correspondente. Há uma harmoniosa reverberação de cordas íntimas, como acontece entre duas harpas: se a corda de uma harpa for tocada numa sala onde existe uma outra harpa, nesta vibrará a corda que emite a mesma nota. O júbilo é semelhantemente contagioso entre almas, se nos sintonizamos com essa nota específica.
Tal parte de mim mesma estava a desenvolver-se naquela peregrinação. Dois anos depois, na Índia, aperceber-me-ia que andar perto de Dadi produzia o efeito de constelar as sensações de "felicidade sem qualquer motivo especial" visível numa criança que balbucia. Portanto, perguntei-lhe como é que se mudava a saudação "Om Shanti" ("Eu sou a paz") para "Eu sou a alegria". Era "Om kushi".
Os próprios Dalai Lama e Dadi Janki se encontram entre os "sítios sagrados" de peregrinação. A ideia de peregrinação é visitar sítios sagrados, locais onde habita a divindade, para "activar" ou acelerar a divindade no íntimo do peregrino. Os dois indivíduos citados têm um efeito activador semelhante sobre as pessoas, porque o arquétipo criança jubilosa e mestre espiritual estão imbuídos no "Self". O aspecto de criança divina que existe neles estava a impressionar-me porque era uma faceta minha que precisava de despertar novamente para a vida. Essa criança em mim sentiu-se acarinhada, cuidada, "maternizada" por Mrs. Detiger: porque a sua mão de guia me orientou durante a peregrinação, a minha psique estava muito recptiva à criança divina nos outros."
*Ou, Filhos de Brama. A associação existe em Portugal (N. da T.)
(Jean Shinoda Bolen, Travessia para Avalon, Planeta Editora)

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