domingo, 30 de setembro de 2007

CURAR

Mãe Terra e as Árvores Sagradas, Diana Vandenberg

Sábado consagrado às Constelações Familiares, com Paula Matos, em Carcavelos. Grupo numeroso de pessoas que, de coração aberto, estavam ali à procura de respostas para as suas dúvidas, procurando-as neste caso nos desequilíbrios existentes nos seus sistemas familiares.
Há uma alma familiar da qual a nossa alma individual faz parte (para além de o fazer também de outros sistemas) que precisa de estar equilibrada e com a qual precisamos de estar em harmonia para que a nossa vida possa fluir de forma mais criativa e satisfatória.
Há leis desse sistema que devem ser conhecidas e respeitadas, como a lei da ordem (que lugar ocupa cada um no sistema); a lei do equilíbrio entre o dar e o receber; a necessidade de pertencer, de fazer parte do sistema; a lei do amor, da lealdade, em nome da qual muitas vezes fazemos inconscientemente coisas impensáveis...

Nestas sessões tomamos consciência do peso, da importância e do imenso amor - que por vezes não é assim tão evidente para nós - por este primeiro sistema que permitiu a nossa vinda a este mundo. A postura aqui é de profundo respeito e reverência perante o Pai e a Mãe, em relação aos quais seremos sempre os mais pequenos, aqueles que não têm o direito de julgar qualquer dos seus actos, mas tão somente de os aceitar, quaisquer que tenham sido. Como contraponto a isto, também não nos cabe a nós, os filhos, assumirmos qualquer responsabilidade por esses mesmos actos; eles são o seu "fardo", e a eles apenas deve pertencer essa carga. A nós cabe-nos apenas sentir uma imensa gratidão pelo simples facto de, através deles, termos tido acesso à Vida. Sem isto, asfixiamos em "emaranhamentos" que dificilmente nos permitem tornarmo-nos adultos responsáveis e senhores do nosso próprio destino...
A serenidade que sentimos no final é o melhor indicador da justeza, da verdade destes princípios.

Paula Matos acaba de lançar o seu próprio livro, Constelações Familiares – Um Olhar Sistémico para: Relacionamentos, Sentimentos e Sintomas, da Ariana Editora, onde expõe de forma simples e clara os princípios mais importantes desta bela arte de cura, criada pelo alemão Bert Hellinger e desenvolvida por outros, como Jacob Scheinder. Esses princípios são ilustrados com relatos de situações concretas sobre as quais trabalhou ao longo dos vários anos de experiência em Constelações Familiares.

É desse mesmo livro que deixo aqui uma interessante e justa definição de CURA que a autora retirou da obra do psiquiatra David Benor:

“Cura é a influência intencional de uma ou mais pessoas sobre um organismo, sem a utilização de meios de intervenção física conhecidos. Essa “influência” significa concentrar-se na sabedoria e na energia que emanam subtilmente do coração e não apenas nas manipulações e técnicas inventadas pelo cérebro. Curar com o coração não é “tentar curar”, mas permitir que a natural energia sanativa do coração e todas as memórias de curas que já ocorreram, ressoem dentro da pessoa; é permanecer sereno e calado para permitir que o coração estabeleça com outros corações uma coerência compartilhada na forma de prece solidária que transcende os limites das palavras.

A cura através do coração tem a finalidade de nos manter íntegros com os sistemas à nossa volta para podermos cuidar e proteger esses sistemas, que incluem pessoas, plantas, animais e lugares.

“A cura é o processo de manter a conexão de energia saudável fluindo dentro de todos os sistemas. São os sistemas e não os indivíduos que adoecem. Saúde e doença não são extremidades opostas de um continuum. Todos nós estamos sadios e doentes ao mesmo tempo, porque somos sistemas energéticos caóticos em processo de autocorrecção. Estabilidade não significa nunca mudar. A estabilidade sistémica é indicada pelos reajustes energéticos constantes de um sistema. Estamos curados quando nos sentimos íntegros, quando os outros dizem que se sentem mais ligados a nós, quando algo no nosso coração nos faz sentir novamente o encanto do mundo e nos liga a ele energeticamente mais uma vez. Estamos curados quando aprendemos a celebrar a vida em vez de apenas lutar para protegê-la. Quando aprendemos a tornar-nos mais conscientes da subtil instabilidade oscilante que se encontra logo abaixo daquilo que podemos experimentar como “saúde estável”.(David Benor)

2 comentários:

Sou mulher... disse...

Ola Luiza,

Adorei seu texto e maravilhoso como todos os outros, meu Parabens pela sua escrita leve, mas que nos capta tao bem.
Otima semana
Muita Luz e Amor

Lealdade Feminina disse...

olá... fiquei interessada no livro... sobretudo no aspecto da lei da lealdade... beijinhos...