quarta-feira, 22 de agosto de 2007

MULHERES À BEIRA-MAR

Confundindo os seus cabelos com os cabelos do vento,
têm o corpo feliz de ser tão seu e tão denso em plena
liberdade.

Lançam os braços pela praia fora e a brancura dos seus
pulsos penetra nas espumas.

Passam aves de asas agudas e a curva dos seus olhos
prolonga o interminável rasto no céu branco.

Com a boca colada ao horizonte aspiram longamente
a virgindade dum mundo que nasceu.

O extremo dos seus dedos toca o ponto de espanto e de
vertigem onde o mar acaba e começa.

E aos seus ombros cola-se uma alga, feliz de ser tão verde.

Sophia de Mello Breyner Andresen,
Coral
Imagem: petalas.blogs.sapo.pt

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