sexta-feira, 31 de agosto de 2007

O AMOR DOS AMIGOS, DIGO, DAS AMIGAS E DOS AMIGOS...

( Em particular aos Cavaleiros e à nossa tapeçaria inacabada...)

" Conversávamos e ríamos, éramos amáveis uns com os outros; líamos em conjunto livros bem escritos; gracejávamos; respeitávamo-nos mutuamente; discordávamos de tempos a tempos sem animosidade, como um homem discorda de si mesmo. Mas através dessa rara diferença de opinião consolidava-se a harmonia. Ensinávamos e aprendíamos uns com os outros. Sentíamos saudades dos ausentes e acolhíamo-los com alegria quando regressavam. Com estes e outros sinais semelhantes, o amor dos amigos pode passar de coração em coração através da expressão do rosto, olhares e mil gestos de amizade. São como faíscas que incendeiam a nossa alma e fundem o múltiplo num só."
in "Confissões de Santo Agostinho"
imagem: www.duchessedulac.com


No Blog Mulheres & Deusas, este post mereceu o seguinte comentário:

"Enquanto Santo Agostinho se confessa assim com os homens, em amor, harmonia e graças, vê as mulheres sem alma e trata-as como inimigas do HOMEM e da IGREJA, tendo contribuído e muito para o desenvolvimento da "caça às bruxas". Muitos dos demonólogos que escreveram leis que aplicaram na tortura IMPLACÁVEL e queima das bruxas - qualquer mulher livre e independente ou mais ousada -
- basearam-se em Santo Agostinho. É um dos "santos" da Igreja porventura o mais misógino e mais acérrimo defensor da inferioridade e da culpa da mulher...
(...) Penso que a linguagem no masculino origina estes equívocos e este é um dos riscos que as mulheres correm através da espiritualidade católica, que é, ao julgarem-se incluídas, esquecerem que os seus santos falam só de homens e para homens ... enquanto odeiam as mulheres e as colocaram na situação tremenda de alienação e medo em que ainda hoje se encontram..."



Agradeço ao Universo por, enquanto mulher, já ter conquistado o pleno direito de participar de grupos deste tipo...



terça-feira, 28 de agosto de 2007

A DIMENSÃO ESPIRITUAL DA EDUCAÇÃO

Encontrei aqui estes preceitos que me parecem óptimos para as crianças (a começar pela nossa criança interior...)

101 Ideias para pais pagãos

Recicle
Entre no parque
Pule em poças de água
Aprenda o nome de algumas constelações
Aprenda os nomes das árvores e plantas da sua rua
Faça voluntariado
Procure figuras nas nuvens
Plante um jardim
coza pão
Deixe oferendas
Tenha o altar para as crianças
Fale com as árvores
Dance
Toque tambor
Brinque
Cante
Arrume a casa para receber o Pai Natal no Solstício
Arrume casa para receber o Coelho em Ostara
Escute
as suas crianças
Chore
Vá acampar
Adopte uma praça, um jardim
Faça pilhas de pedra
Nade nos lagos e rios
Ria
Pule e grite
Leia mitos
Escreva poesia
Empine uma pipa
Faça pintura de dedo
Leve os seus filhos consigo quando for votar

Discuta política abertamente
Conheça os seus vizinhos
Crie um kit de "poções"
Vá para a biblioteca
Conte histórias
Faça um espectáculo de marionetas
Use sacos de tecido quando for fazer compras
Fale com os seus filhos
Construa um castelo de areia
Incentive-os a ler
Beba água da chuva
Conheça os professores deles
Ajude-os com os trabalhos de casa
Não os deixe passar muito tempo a fazer os trabalhos de casa
Deixe-os brincar fora de casa
Desligue a televisão
Sente-se nos bosques e fique apenas quietinha a observar
Diga "eu te amo"
Faça um "feitiço" contra o bicho papão
Finja que acredita
Faça um livro pagão de colorir
Procure por anéis de fada
Faça água de lua
durma a sesta
Reparta
Deixe-os ajudar no planeamento de rituais
Ensine tolerância
Faça bastões mágicos
Faça uma bolsa especial para ferramentas de magia
Abrace
Inclua as crianças em programas e conversas
Faça excursões aos parques locais
Vá ao circo
Honre as diferentes fases da infância com um ritual
Respeite as crianças
Ensine-lhes respeito
Fale sobre sentimentos
Conheça os amigos deles
Pergunte e responda
Faça trabalhos manuais
Encoraje-os a perguntar
Agradeça à Mãe Natureza pela comida
Alimente-os com comida saudável
Evite excesso de peso nas suas mochilas
Transforme os erros em oportunidades para aprender
Leia para eles
Acredite em magia
consiga tempo para os seus filhos
Elogie as suas realizações
Ajude-os a estabelecerem metas
Procure os seus interesses
Dê-lhes a conhecer culturas diferentes
Prepare-se para ser mãe/pai
Seja um bom exemplo para os seus filhos
Cubra-os na cama antes de adormecerem
Tenha um dia preguiçoso com eles
Cave na areia
Explore a vida selvagem do quintal
Não espere que a criança seja um pequeno adulto
Deixe-o ser criança
Ensine-lhes a caminhar no caminho dos antigos
Ensine-lhes a fazer o seu próprio caminho
Fale sobre os seus antepassados
Conte histórias familiares
Tire um fim-de-semana e vá com eles ao campo
Ensine-os a respeitarem os idosos
Saúde o Sol ao amanhecer
Explique ecologia
Acenda incensos pela casa
Respeite as outras religiões.

Texto adaptado
Imagens:http://www.infonet.com.br/sysinfonet

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

ÍTACA

Se vais iniciar a viagem para Ítaca,
pede que o teu caminho seja longo,
rico em experiências e em conhecimento.
A Lestrígones
e a Cíclope,
ou ao irado Poseidon, nunca temas,
não encontrarás tais seres na tua rota
se mantiveres alto o teu pensamento e limpa
a emoção do teu espírito e o teu corpo.
Nem a Lestrígones e a Cíclope,
nem ao feroz Poseidon, encontrarás jamais,
se não os levares dentro da tua alma,
se não for a tua alma quem diante de ti os põe.

Pede que o teu caminho seja longo.
Que numerosas sejam as manhãs de Verão
em que com prazer, chegues feliz
a baías nunca vistas;
detém-te nos empórios da Fenícia
para comprar as formosas mercadorias,
madre-pérola e coral, e ambar e ébano,
perfumes deliciosos e diversos,
investe quanto possas em perfumes voluptuosos e delicados;
visita muitas cidades do Egipto
e avidamente aprende com os seus sábios.

Mantém sempre Ítaca no teu espírito.
Chegar lá é a tua meta.
Mas não apresses a viagem.
Será melhor que ela se estenda por muitos anos;
e na tua velhice chegues à ilha
rico com o que ganhaste no caminho,
sem esperar que Ítaca te enriqueça.

Ítaca ofereceu-te uma viagem maravilhosa.
Sem ela não te terias posto ao caminho.
Mas nenhuma outra coisa te poderá dar.

Ainda que pobre a encontres, não te terá enganado Ítaca.
Rico em saber e em experiência de vida, como chegaste,
terás compreendido então o que significam as Ítacas.

Cavafy (1863-1933)

(Http://oceanus.occidentalis.weblog.com.pt)
Imagem: mtestepamdi.files.wordpress.com

DIÁRIO DA VIAGEM DE LEYLA A FINDHORN

Imagem: http://www.leylahdiariodeviagem.blogspot.com/

"O HOMEM SUSTENTÁVEL"

MijnUranischeLeermeester,1983, Diana Vandenberg

"Uma abordagem masculina e contemporânea da ecologia espiritual
A mente racional do masculino adora gerar ordem a partir do aparente caos da criação. Quer respostas para tudo, compreender como tudo funciona. MENTE , MENTE, RAZÃO. E o coração? E as emoções?
Hoje temos o convite e o dever de viver de maneira sustentável, em harmonia com todas as formas de vida que nos rodeiam. Mas continuamos a esquecer os nossos corações, anestesiando-nos para podermos ter mais e mais, muito além do que necessitamos.
Nós, homens, temos que começar a conectar-nos com os nossos sentimentos, o nosso coração, a nossa essência, para refrearmos os nossos hábitos puramente racionais, muitas vezes destrutivos para o planeta. Desta maneira, os nossos filhos poderão herdar um planeta Terra habitável.
"Nós não herdámos a terra dos nossos ancestrais, mas pedimo-la emprestada aos nossos filhos"

O que significa ser um homem sustentável em todos os níveis do nosso ser, colocando-nos de volta na comunidade da vida, compartilhando com outros seres que chamam este planeta de LAR?

Durante este encontro de homens permitiremos à mente continuar com a sua dança, enquanto exploraremos outras dimensões do masculino, outras percepções e outras relações através do ritual, da dança, da música e do trabalho corporal."

Craig Gibsone

"Australiano, músico, pintor e pai. Há 30 anos coordena grupos e workshops de desenvolvimento humano e autoconhecimento em diversos países. Há 35 anos vem curando, com meditação intensiva e processos psicodinâmicos, as feridas deixadas pela sua educação num ambiente masculino agressivo. Trabalha com o movimento de homens, sobretudo na Comunidade de Findhorn, Escócia, da qual foi director durante 5 anos. Praticante de caminhos espirituais tanto do Oriente como do Ocidente, o seu objectivo é a aplicação dos mesmos na vida quotidiana. Craig é coordenador de Educação do Projecto de Ecovila de Findhorn e trabalha internacionalmente com o movimento global de ecovilas como educador e consultor para a sustentabilidade."

http://www.integria.org

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Para saber mais sobre a questão da IDENTIDADE MASCULINA, leia os trabalhos da psicóloga CRISTINA MONTENEGRO (procure na lista dos "colunistas", ao fundo da página).

Outro sítio interessante sobre o tema.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

CONCEBER UMA NOVA VISÃO DO MUNDO

O Sétimo Dia, Diana Vandenberg, 1959

Um visitante anónimo acaba de deixar aqui um comentário muito bonito e encorajador que decidi postar. Já fui espreitar o sítio que refere e achei-o de grande interesse, sendo o inglês razoavelmente accessível. Ali se fala, por exemplo, sobre "novos" sistemas de trocas de serviços que não passam pelo uso do dinheiro... E a nossa criatividade dá saltos!...
"O seu blog volta de férias com renovada energia e vigor, como ser vivo e bem nutrido que mostra ser. Eu (ainda) não tenho blog, mas partilho das belas apostas que encontro no seu e nalguns outros, onde é possível colher alimento para a NOVA VISÃO DO MUNDO QUE URGE CONSTRUIR.
É neste espírito de partilha que desejo deixar aqui um link muito especial, que reúne belas experiências práticas e inovadoras em vários cantos do mundo, dentro do espírito de “What The Bleep do We Know” – filme já por si referido. Pena ser em inglês – mas, tal como refere algures, esse é mais um desafio a vencer, não é? Tanto mais que um site (melhor, um jornal, a subscrever) feito apenas de boas notícias é sempre um bom antídoto para os venenos que diariamente temos que absorver na nossa sociedade, quer queiramos, quer não.

Se me permite:
http://www.theglobalintelligencer.com/about"
Obrigada!

"A GRANDE, INTERMINÁVEL CONVERSA DAS MULHERES"

"... é a grande, interminável conversa das mulheres, parece coisa nenhuma, isto pensam os homens, nem eles imaginam que esta conversa é que segura o mundo na sua órbita, não fosse falarem as mulheres umas com as outras, já os homens teriam perdido o sentido da casa e do planeta..."
José Saramago, Memorial do Convento
Imagem: Engomadeiras, Carlos Reis, 1915

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

MULHERES À BEIRA-MAR

Confundindo os seus cabelos com os cabelos do vento,
têm o corpo feliz de ser tão seu e tão denso em plena
liberdade.

Lançam os braços pela praia fora e a brancura dos seus
pulsos penetra nas espumas.

Passam aves de asas agudas e a curva dos seus olhos
prolonga o interminável rasto no céu branco.

Com a boca colada ao horizonte aspiram longamente
a virgindade dum mundo que nasceu.

O extremo dos seus dedos toca o ponto de espanto e de
vertigem onde o mar acaba e começa.

E aos seus ombros cola-se uma alga, feliz de ser tão verde.

Sophia de Mello Breyner Andresen,
Coral
Imagem: petalas.blogs.sapo.pt

PLANETA VIVO

Lá onde na nossa mente “praia” sugeriu
betão, construções galgando as dunas
corpos amontoados em exíguo areal...

no mesmo lugar e instante
sugiro que coloquemos:

areal sem fim

dunas intocadas

árvore sagrada

bosque

floresta

água jorrando límpida das fontes

a transparência das águas

planeta vivo!

Pois a matéria não é tão “material” como normalmente se crê e nós somos co-criadores da realidade. Aquilo em que colocamos a nossa atenção é que cresce...
"Nós somos a inteligência que coordena a energia"... (Deepack Chopra)
E o poeta disse: "É pelo sonho é que vamos"...

Imagem: labirintto.wordpress.com

O Livro da Abundância

“Uma forma de aumentar a tomada de consciência é através daquilo a que chamamos “O Livro da Abundância”. Compre um bloco de notas bonito, o mais caro que puder. Comece a preenchê-lo escrevendo o maior número de coisas positivas da sua vida – passadas e presentes – de que se lembre. Não pare até chegar às 150. Alguns de vós encontrarão mais. Quando sentir que não se lembra de mais, há-de lembrar-se. Continue apenas a concentrar-se em todas as bênçãos da sua vida. Por mais pequenas que sejam, inclua-as no seu bloco.

Acrescente todos os dias alguma coisa. Em vez do diário tradicional – que para muitos contém tristezas e desgraças, desejos e anseios – crie este livro, que com efeito apenas diz “eu tenho!” Anote todas as coisas positivas, grandes ou pequenas, que lhe acontecem – um elogio a um amigo, um “olá” animado de um carteiro, um céu lindo, uma oportunidade para distribuir, um corte de cabelo, um fato novo, comida nutritiva. Repare em tudo de bom que lhe acontece.

Use lembretes que o mantenham concentrado “no copo meio cheio e não no copo meio vazio”. Procure as bênçãos e vai encontrá-las por todo o lado. Elas vão envolvê-lo. Há tantas coisas que não vê e que estão lá. Não há necessidade de sentir carência, quando há tanta abundância.”

Susan Jeffers, Apesar do Medo, Sinais de Fogo
Imagem: azoriana.blogs.sapo.pt

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

ESCOLHER A ALEGRIA

Quem viu o meu post de ontem terá ficado surpreendido por já não o encontrar aqui... Retirei-o porque insistia em alguns aspectos menos bons (questões do patriarcado ...) Ora convém nunca esquecer princípios essenciais como: aquilo em que pomos a nossa atenção cresce! E o que é que queremos ver crescer na nossa vida? Por mim, quero amor, descontracção, doçura, alegria, leveza...
Deixo-vos na mesma esta bela imagem de um pintor inglês do século XIX, Lord Frederick Leighton, que tinha seleccionado, tão cheia de ternura e que tão bem evoca o lazer e a descontracção que os longos dias da estação que vivemos nos permitem.

A quem lê inglês (aí está uma óptima matéria para irmos aprendendo...), aconselho este sítio.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

PORQUE É PRECISO SALVAR A TERRA E SEM A ENERGIA FEMININA O MUNDO MORRE...

A Árvore Cósmica da Vida, 1976-Diana Vandenberg

Deixo-vos este excerto retirado daqui como uma mensagem de que todos precisamos tomar consciência urgente:
"As histórias da antiguidade que contavam a magia da mulher, a criadora, aquela que é capaz de dar à luz, a que recebe o mistério do sangue – a força vital – e que é capaz de devolver essa força vital à Terra foram soterradas, esquecidas. Onde estão as histórias da Deusa – aquela que ama, sente e nutre? A espécie masculina costumava possuir a energia da Deusa dentro de si, também, e sente necessidade dessa energia.
(...)
Homens e mulheres devem complementar-se, jamais confrontarem-se.
(...)
Vocês não têm um panteão de imagens femininas criadoras poderosas, como o masculino, que sirva de padrão da imagem positiva da força feminina. Assim os homens esforçam-se por ser másculos e as mulheres por adquirir a força através da vibração masculina, não possuindo nenhum dos dois uma visão clara da potência feminina. Criem essa imagem. Comecem a reconhecer a riqueza da energia do lado feminino do EU, que é intuição, receptividade, criatividade, compaixão e nutrição." (...)


in MENSAGEIROS DO AMANHECER, de Barbara Marciniak


Leitura de férias

Sugestão de
Isabel Faria: "A Ditadura da Beleza"



FÉRIAS...OBRIGADA AO UNIVERSO!

Mar
De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

Sofia de Mello Breyner Andresen

E eu acrescento: ... e ao sol!

Imagem: Google (agradeço ao seu autor)

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

VISÃO HOLÍSTICA, com a terapeuta Sylvia Lakeland

Como todos sabemos, "os olhos são o espelho da alma", mas por vezes esquecemos as implicações profundas desta asserção. Cada vez mais os óculos se tornaram um acessório de moda, o que nos ajudou muito a resignarmo-nos a ver mal e a não cuidar de saber porquê nem se haverá técnicas que nos possam ajudar a ver melhor.
Em conversa ontem com uma amiga, abordámos este tema e eu lembrei-me de uma terapeuta brasileira que passou em tempos pelo Quíron. Embora não tenha estado com ela na altura, foi um daqueles assuntos que arquivei na memória, à espera de que uma oportunidade se apresentasse para o levar mais a sério. E hoje, enquanto pesquisava sobre outro assunto, encontrei aqui a informação sobre Sylvia Lakeland e a notícia de que em Outubro estará de novo em Portugal.

Imagem: pensamentonosso.blogspot.com

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

A Importância do contacto Físico na Análise Transaccional










Retirei esta maravilhosa imagem daqui!



No seu comentário, Perplexo remetia-nos para um tipo de terapia designada por Análise Transaccional. Ao pesquisar no endereço que forneceu (não foi muito fácil, devo dizer...), encontrei este texto com um título muito sugestivo, cujo conteúdo não diz propriamente nada de muito novo, mas que vem acompanhado de "provas científicas" bastante curiosas (caso da "coincidência" entre a inscrição à entrada da maternidade e a elevada taxa de mortalidade aí registada).

É sempre bom relembrar estas terapias ao alcance de todos nós, sem custos acrescidos.

CARÍCIAS

Um dos mais importantes instrumentos de Análise Transaccional

A Análise Transaccional é uma das poucas abordagens da psicologia que fala de maneira científica sobre o amor. As carícias são os instrumentos mais importantes para se modificar o comportamento, onde segundo Perls, usamos apenas 10% de nossa capacidade de dar afecto.
"Carícias são estímulos sociais dirigidos de um ser vivo a outro, o qual, por sua vez, reconhece a existência daquele." (Kertész)
O ser humano tem necessidade de carícias assim como tem necessidade de alimento. Isso pode ser observado nos bebés, muitas pesquisas já provaram que o contacto físico dos bebés com a mãe ou com quem os alimenta é de importância vital para sua sobrevivência. Neste ponto Berne tem grande influência da psicanálise, quando refere o contacto físico dos bebés com as suas mães como algo prazeiroso, algo semelhante ao prazer sexual sugerido por Freud.
Berne sugere quatro "fomes" vitais:

  • Fome de estímulo: De onde provêm os estímulos sensoriais da visão, da audição, do tacto, olfacto e paladar.
  • Fome de reconhecimento: Onde os actos ou palavras são estímulos especiais para o comportamento.
  • Fome de contacto: Nesta categoria encontra-se a carícia física propriamente dita, não necessariamente apenas aquelas agradáveis, mas também a própria dor é considerada uma fome de contacto.
  • Fome sexual: De onde se podem saciar todas as outras fomes.

Um famoso estudo de Levine, em creches, mostra-nos a necessidade vital dos estímulos em crianças, onde foi observado uma grande taxa de mortalidade numa creche, que mereceu atenção especial. Na fachada da instituição encontrava-se a seguinte inscrição:
"Crianças são como flores, servem para serem admiradas e não tocadas."
A alta mortalidade foi atribuída à ausência quase total de toques, ou carícias nos bebés. Eles eram bem alimentados, bem tratados e cuidadosamente limpos, porém, privados de carícias, morriam.
Outro estudo, feito por Harlow, no seu laboratório experimental, mostrou a importância do contacto físico para o apego: macacos separados das mães ao nascer eram colocados em mães substitutas feitas de arames. Uma das mães foi coberta com um tecido felpudo e macio. O alimento era colocado na mãe de arame sem o tecido. A grande maioria dos macacos, alimentava-se na mãe de arame e, saciada a fome, corriam para a mãe felpuda, passando com ela a maior parte do tempo, mostrando assim que o contacto físico superava a própria fonte de alimentação, o apego era maior com a mãe adoptiva que lhes dava carícias que com a mãe adoptiva que lhes dava o alimento.
Para Berne ficou clara a importância do contacto físico, e que o estímulo é a "unidade básica da acção social", sendo tão importante para a sobrevivência do ser humano como o alimento e o ar que se respira.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

A Casa – Um Ser

Embora neste belíssimo texto de Trigueirinho sobre a casa a perspectiva seja diferente, tendo em comum apenas o tema casa, resolvi publicá-lo por outra razão mais óbvia porventura do que aquela que o autor apresenta: a necessidade de valorização do trabalho das mulheres, que são por tradição, embora haja cada vez mais homens a fazê-lo também, quem se ocupa da casa.

"Nazaré convida você para uma experiência perceptiva do que poderá significar, no mais profundo da consciência, a Casa, o lugar onde se habita, como instrumento de serviço, abrigo e recolhimento. Em nossas vidas compartilhamos todas as nossas actividades com estes seres-casa que fornecem o espaço para a nutrição em todos os níveis do ser, o palco onde grande parte da nossa experiência criativa tem lugar.
Se passamos pela experiência de nos construirmos juntos, podemos dizer que esses seres-casa nos conhecem, assim como nós os conhecemos. Depois de um ser-casa construído, surgem todos os trabalhos a serem feitos na manutenção diária e constante da sua ordem, limpeza, harmonia e beleza, como dons de boas-vindas para quem quer que delas se aproxime. Na Casa, esses dons reflectem o espaço interno daqueles que a habitam.
Como fazer para que o espírito omnipresente em tudo a nossa volta emirja nas nossas mais elementares actividades? Como fazer para que a Luz interna, o Amor superior e uma serena e irradiante Alegria encontrem passagem através de nós e se manifestem aqui, no ato de arrumar, limpar, varrer, desempoeirar? Por que deixar para depois ou somente para quando for possível estar sentado em quietude ou em condições especiais para se sentir conectado com a essência de tudo a nossa volta?
Estamos agora diante do desafio de nos libertar da ideia de separabilidade que possa existir dentro de nós e buscar a comunhão com a Essência presente em tudo, livre dos condicionamentos que a bloqueiam. E constitui um passo decisivo para essa união estar diante de tudo como se estivesse diante de algo novo, seja um objecto, tarefa ou pessoa, dando-lhes a nossa total atenção e cuidado, deixando que a nossa presença esteja inteiramente ali, em perfeita comunhão com a presença do outro ser.
E, quando convidamos você para participar connosco desse desafio de não se sentir separado da vassoura que varre, nem do vaso sanitário que se lava, fazemos isso sabendo da necessidade de disciplina e de uma intenção focalizada na actividade que se executa. A atitude interna de ordenação e concentração enquanto se trabalha pode transformar-se num exercício meditativo. A beleza e o brilho de um lugar limpo e ordenado talvez falem mais claramente que as palavras.
A realidade da "presença" de Deus em tudo não se resolveria simplesmente "dizendo" que Ele está em toda parte. A qualidade do nosso intento, da nossa percepção, a capacidade a ser desenvolvida em sermos transmissores de vida, aliada à consciência de que Deus pode ser percebido e expresso através da nossa mais rotineira actividade é o que fará com que essa Divindade se faça presente aqui e nos libere de todo sentimento de separabilidade. E isto exige prática, disciplina e dedicação.
Seguir uma rotina é seguir a imutabilidade de uma lei natural, é mover-se no caminho da menor resistência. Se pensarmos na rotina da Natureza e se a observarmos, veremos que essas leis e formas ali presentes são inerentes ao seu próprio ser, representando a harmonia, beleza e acção acontecendo num ritmo imperturbável. Os corpos celestes não se desviam dos seus cursos, mas seguem uma regularidade fixa, vital e disciplinada.
Repletos de tarefas e actividades rotineiras estão os seres-casa que nos servem e acolhem. Se pensarmos na casa como se fosse um corpo, e na sua necessidade de limpeza, purificação, ordem, ritmo e harmonia, poderemos compreender, interna e externamente, o verdadeiro significado do varrer, lavar, arrumar. Estaremos, enfim, diante de uma oportunidade extremamente criativa de transformação e transmutação.
Há sempre uma acção interna acontecendo em resposta a algo que estejamos fazendo externamente. E a qualidade amorosa de nossa atenção se irradia para tudo e para todos. Através da nossa cooperação consciente nos trabalhos que dizem respeito ao cuidado e às necessidades dentro do ser-casa, poderá ser possível construir uma ligação com a consciência mais elevada dentro de nós.
Transformar o trabalho de arrumar uma Casa numa tarefa extremamente criativa e transmissora de vida só depende de nós mesmos. Com isso aprendemos a ver a realidade divinizada de cada actividade dentro desse ser-casa, que passa a caber dentro de nós, como experiência viva, transcendendo os limites do seu espaço-forma."

Trigueirinho

"Não procede a crença de que as pequeninas coisas são pouco importantes ou vulgares para a Minha orientação. Eu que criei o átomo não estou acima ou abaixo das coisas, mas sou todas elas. Se você Me deixa fora de uma parte qualquer de sua vida, esta parte ficará na escuridão. Isto não significa que você seja um escravo; isto simplesmente quer dizer que a sua consciência está aberta o tempo todo, ao invés de se fechar enquanto você executa algo de rotina. Toda a vida é para ser glorificada, não apenas as partes. O céu não é um estado de meio expediente. Permita que a nossa unidade aja sempre, a todo instante."

(Dorothy Maclean Wisdoms)

Imagem: Feng Shui

A ESCRITA AUTOBIOGRÁFICA E A CRIANÇA INTERIOR

Diana Vandenberg, Beatrice and the Unicorn

Na segunda-feira passada, acabei o primeiro módulo do Curso de Escrita Autobiográfica que tinha como tema a casa. Sem grandes preocupações literárias, escrevemos sobre os vários aspectos e espaços que compunham o nosso primeiro cosmos (aquilo que se opõe ao caos original). Por vezes saímos do primeiro para os restantes, chegando até ao nosso espaço actual.Acredito que, ao nascermos, trazemos já uma longa história como bagagem, e que é a síntese dessa história (ou histórias) que determina o nosso lugar no mundo. Fala-se também em escolha consciente da nossa alma ao encarnar, em programa de vida pré-estabelecido. Seja como for, algo nos atraiu para aquele lugar em particular, entre tantos outros que compõem este mundo. A partir deste pressuposto, abolimos a tendência, muito cómoda na aparência, para culpabilizar pais, familiares e uma grande quantidade de outras circunstâncias por coisas que consideramos menos boas na nossa vida. Só quando rejeitamos esse papel de vítimas, podemos assumir plenamente o de sujeitos responsáveis e detentores de poder sobre nós e sobre a realidade que nos rodeia.
Revisitar o primeiro espaço pelo qual a nossa alma se sentiu atraída, compreender a posição que nele ocupámos e a visão que daí o mundo nos oferecia, permite-nos entender o modo como esse primeiro modelo de mundo determinou a percepção do mundo em geral ao longo da nossa vida, tornando-se então mais óbvio o modo como fomos atraindo as pessoas e as circunstâncias mais adequadas para o irmos perpetuando.
Estamos portanto a falar de uma verdadeira terapia, quiçá de uma prototerapia (algo que vem antes da terapia), se assim podemos dizer, na medida em que se torna um excelente ponto de partida para outras terapias porventura mais profundas (nos casos em que sejam necessárias). Trata-se seguramente de uma metodologia segura e interessante, até porque à partida fácil e, na maior parte dos casos até, muito agradável. É no entanto aconselhável que o façamos com algum desprendimento, sem saudosismos nem apego, o que, claro, nem sempre é fácil. Convém irmos até lá sem ficarmos lá, porque o vasto mundo espera por nós para o descobrirmos e nele nos sentirmos em casa.
Esta espécie de logoanálise (análise feita a partir dos espaços que habitamos) para usar a terminologia de Gaston Bachelard em A Poética do Espaço, permite-nos entender as dores e os traumas, mas também os aspectos mais luminosos e habilitadores, da nossa criança interior. A partir dessas evidências, sabemos do que precisa essa parte de nós, e, usando as estratégias preconizadas por Louise Hay no seu Método (mas também por outras terapias como a Programação Neurolinguística), podemos tratar dela, escutar o que tem para nos dizer, dar-lhe segurança e fornecer-lhe os recursos de que precisa para que possa resgatar os seus aspectos mais luminosos.
Devo lembrar que este conceito de criança interior, parafraseando Vera Faria* e outros autores, refere-se ao nosso eu verdadeiro, um ser de amor incondicional, espontâneo, extrovertido, criativo, alegre e completo, que está connosco desde sempre. Na tradição cristã, é simbolizado pelo Menino Jesus ( na nossa tradição literária, menino(a) apenas), com as suas qualidades de pureza, integridade, inocência, máxima receptividade, estado original – numa palavra, a Alma.
Foi pois uma experiência e tanto este primeiro módulo do curso que frequentei na Companhia do Eu, com Pedro Sena-Lino, um excelente dinamizador, culto, atento, carinhoso, encorajador, revelando igualmente muito da sua própria alma – uma excelente Companhia!

*Descubra a Sua Criança Interior

Encontrei aqui um poema interessante, porque fala exactamente destas questões da infância e da recriação ao longo da vida do modelo do mundo que aprendemos então:

Infância
Quando pequena
Meu quintal era enorme.
Tinha rios, castelos e florestas,
Trilhas sinuosas e duendes e dragões.
E eu seguia aquelas trilhas,
Catando na terra mágicas sementes
Que marcariam meu caminho de volta à segurança.
Meu quintal não existe mais,
E eu cresci.
E surpresa, me dei conta
que ainda busco, hoje, os sinais e a magia
Daquelas trilhas que eu antes percorria.