quarta-feira, 18 de julho de 2007

Sobre o maravilhoso filme LADY CHATTERLY

Amei o livro quando o li há anos, e creio que não é a primeira versão cinematográfica que vejo, mas esta é bastante diferente e de facto arrebatadora. Foi realizada pela francesa Pascale Ferran e os intérpretes principais são perfeitos: Marina Hands e Jean-Louis Coullo’ch, ambos franceses, apesar dos apelidos.

A 15 de Junho, o Público trouxe uma reportagem sobre esta adaptação, que incluía dados bio e bibliográficos sobre D. H. Lawrence, autor do romance, e uma entrevista com a realizadora (disponível em cinecartaz.publico.pt) que representa um excelente complemento do filme porque a ouvimos verbalizar o que intuímos ao ver o seu trabalho.Ela diz a certa altura: "O que me interessou foi a narrativa minuciosa de um processo de amor entre duas pessoas que começa por uma atracção física e que, a partir dessa atracção, permite que elas se libertem das identidades que as encerram - identidades sociais, de homem e mulher, de esposa e de criado... E que é esse processo de transformação, de libertação que constrói uma vida. Foi isso que me interessou, porque isso dá-me esperança: ficamos com vontade de lutar, de inventar as nossas vidas."
É fabuloso o equilíbrio que se estabelece na relação destes dois seres tão díspares do ponto de vista social, mas tão semelhantes do ponto de vista da alma. Dois seres à partida tão fechados, mas no fundo tão inteiros em si mesmos, capazes de comungar com a natureza, capazes de se desnudarem e de criarem verdadeira intimidade entre si. E o amor ali é justo, íntimo e equilibrado como compreendemos que deva ser o relacionamento entre um homem e uma mulher.
Que frescura este cinema em comparação com os estereótipos de Hollywood!
Poucas vezes saí tão “lavada” dum filme em que a natureza é quase uma terceira (ou primeira?) protagonista; uma natureza linda, variando consoante as estações, intocada, exaltada na transparência das águas gélidas dos ribeiros, na variedade e exuberância das flores, dos musgos, das árvores, dos animais.


Um comentário:

Luiza Frazão disse...

Zero comentários quer dizer que não viram o filme... Sei que é difícil, pois está em poucos cinemas - é um filme francês... Mas garanto-vos que vale a pena procurarem pois é uma daquelas obras raras, preciosas e transformadoras, um bom candidato a "filme da nossa vida". Recebeu em França o "César" para melhor filme de 2006, bem como Marina Hands enquanto actriz principal. Não percam porque vão viver um grande momento!