domingo, 30 de dezembro de 2007

PARA ENTRAR BEM NO NOVO ANO

Deusa da Fortuna


O momento mais marcante do ano para nós é o dia do nosso aniversário, porque, segundo os pressupostos da Astrologia, atingimos nesse momento um novo e mais elevado grau de consciência. Apesar disso, o início de um novo ano, a 1 de Janeiro, não deixa de ser um momento importante. De resto, podemos transformar qualquer efeméride num marco poderoso, desde que lhe atribuamos um significado especial...

Como se trata de uma celebração colectiva, então aproveitemo-la bem, porque a energia grupal é forte neste momento.

Desejarmos saúde, bem-estar, muita abundância, sucesso e tudo o mais é bom, mas convém fazermos também algum trabalho de casa, tomarmos algumas iniciativas concretas nesse sentido.

A minha sugestão é de que façamos primeiro um balanço do ano que agora termina, colocando-nos algumas questões como:

  • Em que áreas da minha vida me senti crescer como pessoa?
  • Quais foram os meus principais sucessos?
  • Quais os talentos que mais desenvolvi?
  • Quais foram as maiores bênçãos que recebi?

Todos os autores de auto-ajuda nos repetem que reconhecermos o que já temos na nossa vida e agradecermos constantemente por isso é fundamental, pois a emoção (a chave de tudo...) é muito positiva nesse momento; sentimo-nos abençoados, abonados, merecedores, e é essa a vibração que nos fará atrair coisas boas para a nossa vida...

É importante focarmo-nos nos aspectos positivos, pela mesma razão.

Mas podemos também pesquisar outros aspectos:

  • O que é que eu queria muito e não consegui?
  • Quais as principais crenças limitadoras que tenho sobre mim?

Em seguida, há que transformar as crenças limitadoras em afirmações positivas.

É bom verificarmos também se os objectivos que não conseguimos alcançar ainda fazem sentido para nós, pois é possível que tal já não aconteça exactamente...

De resto, descobrir crenças limitadoras é uma tarefa e tanto, já que normalmente são bem numerosas e dão algum trabalho a detectar (isto pode bem ser também outra crença limitadora...)

Bom momento também para realizarmos o nosso

MAPA DO TESOURO

(segundo nos explica SHAKTI GAWAIN, em VISUALIZAÇÃO CRIATIVA, da Pergaminho.)

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UM PRESENTE PARA OS MEUS VISITANTES:

Um site de Astrologia e não só onde até podemos fazer o nosso MAPA DO TESOURO!








domingo, 23 de dezembro de 2007

Ah, o Natal...


Acabei de almoçar. É véspera de Natal. Oiço Pavarotti e penso em começar a preparar o bacalhau com broa.
Adoro esta época. Pela intimidade, pela magia, pelo amor dos amigos e das amigas, da família. A fraternidade, o espírito dessa Cidade de Luz de que falava Eileen Cady na sua mensagem para hoje, 23 de Dezembro* estão tão próximos neste tempo...
Pavarotti falará por certo de Anjos, do Menino Jesus e do seu Pai; de como um Deus se fez Homem... Vou a outras tradições procurar vestígios de uma Menina e da sua Mãe... O que mudaria se tivéssemos uma Menina e a sua Mãe?...
É possível que algum dos canais transmita por estes dias um filme inspirado. Recordo o ano em que vi, em êxtase, "As Brumas de Avalon". Parece que brevemente passará "O Mundo Encantado de Beatrix Potter". Maravilhoso por todas as razões e mais algumas... Um dos filmes da minha vida.
Relembro também a mensagem que recebi da Vera Faria. Tão inspirada. Com pequenos vídeos para a Criança, a Adolescente e a Anciã Interiores. Vídeos que eu ainda não sei postar aqui...
Um destes dias farei o meu Mapa do Tesouro para 2008. Manter a frequência da Luz, do Amor, é fácil sob este coro dos Anjos...

*"Abrindo Portas que Há em Nós"
Imagem: www.homemsonhador.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Lembrar Kalil Gibran


Amai-vos...

Amai-vos um ao outro,

mas não façais do amor um grilhão.

Que haja, antes, um mar ondulante

entre as praias da vossa alma.

Enchei a taça um do outro,

mas não bebais da mesma taça.

Dai do vosso pão um ao outro,

mas não comais do mesmo pedaço.

Cantai e dançai juntos,

e sede alegres,

mas deixai

cada um de vós estar sozinho.

Assim como as cordas da lira

são separadas e,
no entanto,

vibram na mesma harmonia.

Dai o vosso coração,

mas não o confieis à guarda um do outro.

Pois somente a mão da Vida

pode conter o vosso coração.

E vivei juntos,

mas não vos aconchegueis demasiadamente.

Pois as colunas do templo

erguem-se separadamente

E o carvalho e o cipreste

não crescem à sombra um do outro.

Gibran Kahlil Gibran (poeta e pintor que nasceu em 1883, no Líbano, e faleceu em 1931, nos Estados-Unidos, país onde viveu grande parte da sua vida. A sua obra mais conhecida é a compilação de poemas O PROFETA)

Imagem: Imagem: criss.site.voila.fr/terragen/meditation.jpg



segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A AGENDA DO EU

Acabo de chegar da Casa Fernando Pessoa, onde Pedro Sena-Lino, da Companhia do Eu, nos presenteou com uma aula livre de Escrita Criativa, aproveitando para apresentar a deliciosa AGENDA DO EU, que acaba de ser lançada para o próximo ano. Inclui textos e desenhos dos seus alunos, poemas de autores conhecidos e dele próprio e ainda efemérides de escritores e de outros criadores famosos. O meu é o texto do mês de Agosto, A Fita de Cetim.
Simples, relativamente pequenina, a AGENDA DO EU está linda, delicada e é um mimo que o Pedro nos fez a todos. Bem-haja e parabéns pela ideia e pela sua capacidade de concretizar projectos!
Já noutro post tive ocasião de referir esta excelente escola de escrita e o seu dinamizador, Pedro Sena-Lino, uma pessoa por quem tenho um carinho muito especial.
"Escrever é abençoar uma vida que não foi abençoada". É também uma excelente terapia, entre outras coisas, porque nos permite ter VOZ. E sem voz não podemos verdadeiramente dizer que existimos...

Já agora, uma palavrinha também sobre a minha primeira formadora de Escrita Criativa, a Conceição Garcia, formadora do Nextart e do Estúdio SerArte, com quem aprendi e me diverti imenso, e que também é uma excelente formadora.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Fazer o Impossível


"Comece por fazer o necessário, depois o que é possível; de repente estará fazendo o impossível."
S. Francisco de Assis

Imagem: criss.site.voila.fr/terragen/meditation.jpg

EDUCAR PARA A PAZ

Texto retirado do blog: http://shekynah.blog.uol.com.br/

“Não se pode falar de educar para a paz se, em primeiro lugar, não se favorecer a análise da realidade. Abrir os olhos, ser capaz de reconhecer as contradições do mundo em que vivemos, é fundamental. Uma educação para a paz não pode ser um processo que leva, de alguma forma, a velar a realidade, a calar as diferentes vozes, particularmente as dos excluídos, a não enfrentar a desigualdade e a exclusão crescentes na nossa sociedade. O primeiro passo para uma educação para a paz é andar com os olhos abertos, não se negar a enfrentar a realidade por mais dura e desconcertante que seja e não querer “ proteger” as crianças e adolescentes da dimensão dura da vida. No entanto, não basta ser capaz de ver, analisar, conhecer, é necessário também se situar diante desta realidade, compreender os mecanismos que perpetuam a exclusão e as desigualdades e produzem violência., assim como os esforços de tantas pessoas, grupos, organizações para criar uma realidade diferente.

A paz não pode ser construída como um elemento isolado. É indissociável da justiça e da solidariedade. Paz, justiça e solidariedade constituem um conjunto e não se pode separar qualquer destes elementos dos demais. Querer a paz exige favorecer a justiça e construir solidariedade. A paz é um produto que se constrói com estes diferentes componentes. Não é somente uma meta a ser alcançada. É também um processo, um caminho. Neste sentido, é importante radicalizar a capacidade de diálogo e de negociação. Não construiremos a paz se não nos desarmarmos das nossas armas materiais, mas também se não desamarmos nossos espíritos, nossos sentimentos, tudo o que há em nós de negação do outro, de não reconhecimento, de prepotência, de exclusão dos “diferentes”. Para educar para a paz é fundamental desenvolver a capacidade de diálogo e de negociação sem limites. Sempre é possível conversar, expressar a sua palavra, resgatar o melhor de nossas experiências, ressituar as questões, construir plataformas de negociação no plano interpessoal, grupal e social. Trata-se de trabalhar muito a capacidade de escuta do outro, de deixar-se afetar, de repensar as próprias convicções, ideias, sentimentos, de desenvolver a capacidade de negociação, básica para construir com outros, conjuntamente. Em sociedades e culturas autoritárias como a nossa esta é uma dimensão fundamental.

A cultura da violência está cada vez mais presente nos diferentes ambientes sociais, da família ao Estado. A escola não está imune a esta dinâmica. A solução para esta problemática é, em geral, buscada acentuando-se as políticas de segurança. As situações passam a ser exclusivamente uma questão de segurança, de responsabilidade da polícia. Mais polícia nas ruas e nas escolas, mais repressão e punição, mais controle. É reforçada a lógica da contraposição de forças, o que é antagónico a uma cultura de paz. Uma educação para a paz procura desenvolver uma cultura dos direitos humanos, que passa pelo reconhecimento da dignidade de cada pessoa, pelo resgate da memória histórica, por nomear os mecanismos que favorecem em cada um de nós e no corpo social as reações violentas, pela expressão de sonhos partilhados, pela construção de um horizonte comum de vida e de sociedade que assuma a diferença positivamente.

No seminário promovido em Novembro de 1999 pelo Instituto Interamericano de Direitos Humanos (IIDH) da Costa Rica, sobre a Educação em Direitos Humanos na década de 90 no continente latino-americano, se afirmou que hoje era importante reforçar três dimensões da educação em Direitos Humanos. A primeira diz respeito à formação de sujeitos de direito. A maior parte dos cidadãos latino-americanos temos pouca consciência de que somos sujeitos de direito. Outro elemento fundamental na educação de Direitos Humanos é favorecer o processo de "empoderamento" (“empowermwnt”) principalmente orientado aos atores sociais que historicamente tiveram menos poder na sociedade, ou seja menos capacidade de influir nas decisões e nos processos coletivos. O "empoderamento" começa por libertar a possibilidade, o poder, a potência que cada pessoa tem para que ela possa ser sujeito da sua vida e ator social. O "empoderamento" tem também uma dimensão coletiva, trabalha com grupos sociais minoritários, discriminados, marginalizados, etc, favorecendo a sua organização e participação ativa na sociedade civil. O terceiro elemento diz respeito aos processos de mudança, de transformação necessários para a construção de sociedades verdadeiramente democráticas e humanas. Um dos componentes fundamentais destes processos relaciona-se com "educar para o nunca mais", para resgatar a memória histórica, romper com a cultura do silêncio e da impunidade que ainda está muito presente nos nossos países. Somente assim é possível construir a identidade de um povo, na pluralidade de suas etnias, e culturas. Estes componentes, formar sujeitos de direito, favorecer processos de empoderamento e educar para o “nunca mais”, constituem hoje o horizonte de sentido da educação em Direitos Humanos.

Uma quarta característica da educação para a paz é o

Não querer uniformizar, não querer que todos pensem da mesma maneira, nem atuem do mesmo modo. Supõe manejar a pluralidade e a diferença. Romper com o etnocentrismo, não hierarquizar os “outros”, pessoas, grupos sociais ou culturas, como inferiores ou superiores a mim, ao meu grupo ou cultura. Procura reconhecer a contribuição de cada um a partir da diferença. Uma educação para a paz supõe uma educação para o reconhecimento da pluralidade e da diferença, exige uma educação intercultural, que promova o diálogo entre diferentes grupos e culturas.

A paz é uma aspiração humana profunda. Todos queremos a paz. Connosco mesmo e com os demais. A paz social e a paz na dimensão planetária. Aspiramos a um amadurecimento humano pleno que não esteja bloqueado pelo medo, a insegurança, a falta de confiança nos demais, por sentir-se excluído, pela falta de autoestima e pelas diferentes formas de violência. A educação para a paz supõe libertar o dinamismo profundo de crescimento de cada pessoa e de cada grupo humano, indispensável para se assumir a vida como uma aventura positiva, para enfrentar riscos e empenhar-se em construir com outros novas possibilidades de futuro. A sociedade nova que sonhamos exige atores sociais comprometidos, processos coerentes com o que se pretende alcançar, que enfatizem métodos pacíficos e não violentos – a paz é processo e produto.

A paz é um modo de viver o humano, de enfrentar os problemas e conflitos, de promover uma maneira não violenta de lutar pelos direitos humanos, capaz de reconhecer o outro e de realizar ações e processos coletivos. A paz é responsabilidade de todos: Governo e sociedade civil. Homens e mulheres. Crianças, adultos e idosos. Afrodescendentes, indígenas, brancos, mestiços, etc. Todos temos que expressar a nossa voz. Somente na sinfonia de diferentes vozes podemos construir a paz."

Texto: Vera Maria Candau
http://www.dhnet.org.br/direitos/bib

Imagem: flainandonaweb.blogspot.com

terça-feira, 27 de novembro de 2007

RELAÇÃO MENTE - CORPO



“Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de mudar a nossa biologia pelo que pensamos e sentimos!


As nossas células estão constantemente a bisbilhotar os nossos pensamentos e sendo modificadas por eles. Um surto de depressão pode arrasar o nosso sistema imunológico; apaixonarmo-nos, pelo contrário, pode fortificá-lo tremendamente.

A alegria e a realização mantêm-nos saudáveis e prolongam a nossa vida.

A recordação de uma situação stressante, que não passa de um fio de pensamento, liberta o mesmo fluxo de hormonas destrutivas que o stresse.

As nossas células estão constantemente a processar as experiências e a metabolizá-las de acordo com os nossos pontos de vista pessoais.

Não se pode simplesmente captar dados brutos e carimbá-los com um julgamento.

Transformamo-nos na própria interpretação quando a interiorizamos.

Quando estamos deprimidos por causa da perda de um emprego, projectamos tristeza para todas as partes do nosso corpo.
A produção de neurotransmissores por parte do cérebro reduz-se, o nível de hormonas baixa, o ciclo do sono é interrompido, receptores neuropeptídicos na superfície externa das células da pele tornam-se distorcidos, as plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos e até as nossas lágrimas contêm traços químicos diferentes das lágrimas de alegria.

Todo este perfil bioquímico será drasticamente alterado quando encontramos uma nova posição.

Isto reforça a grande necessidade de usarmos a nossa consciência para criarmos os corpos que realmente desejamos.

A ansiedade por causa de um exame acaba por passar, assim como a depressão causada por um emprego perdido.

O processo de envelhecimento, contudo, tem que ser combatido cada dia.

Shakespeare não estava a usar linguagem metafórica quando Próspero disse:
"Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos".
Quer saber como está o seu corpo hoje? Lembre-se dos seus pensamentos de ontem.
Quer saber como estará o seu corpo amanhã? Observe os seus pensamentos de hoje!
"Ou nós abrimos o nosso coração ou algum cardiologista o fará por nós!"

Autor: Deepak Chopra

Livro: CORPO SEM IDADE...MENTE SEM FRONTEIRAS

http://shekynah.blog.uol.com.br/ (adaptado)

Imagem: www.impulshotel.com/images/pic_meditation.jpg

sábado, 24 de novembro de 2007

OUVIR O CORAÇÃO


Pensamento para este dia, 24 de Novembro, de Eileen Cady, no seu livro Abrindo Portas que Há em Nós:

"Pelos seus frutos os reconhecereis", quer sejam por Mim ou contra Mim, quer sejam de luz ou de trevas. Abre os teus olhos e saberás sem qualquer incerteza. Interioriza-te e o teu coração te responderá. Faz a tua própria avaliação e não oiças tudo o que vem do exterior; pois, se escutares os numerosos sussurros e rumores externos, encontrar-te-ás numa tal encruzilhada que não saberás mais o que é verdade e o que não é, e perderás o teu rumo.
Todas as pessoas podem encontrar a verdade interiormente; isso quer dizer que devem aproveitar para se interiorizar. Devem pensar por si mesmas e encontrar o seu caminho, mas muitas são demasiado preguiçosas para isso. Elas acham mais fácil ouvir o que os outros têm para dizer e aceitá-lo, sem nisso terem que pensar. Tranquiliza-te e encontrarás a verdade que te libertará."
Imagem: www.anjodeluz.com.br

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Saber estar sozinho

Acabo de receber da ISABEL REFACHO:

Sobre Estar Sozinho

Dr. Flávio Gikovate

Não é apenas o avanço

tecnológico que marcou o início deste milénio. As relações afectivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.


A ideia de uma pessoa ser o remédio para a nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fracção e precisamos de encontrar a nossa outra metade para nos sentirmos completos.


Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher; ela abandona as suas características, para se amalgamar ao projecto masculino.

A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria.

Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão a perder o pavor de ficar sozinhas, e a aprender a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fracção, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fracção. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.

O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de se ir reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos a entrar na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo.

O egoísta não tem energia própria; ele alimenta-se da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.

A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar a sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afectiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa.

As boas relações afectivas são óptimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. O nosso modo de pensar e de agir não serve de referência para avaliar ninguém.


Muitas vezes, pensamos que o outro é a nossa alma gémea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecerem um diálogo interno e descobrirem a sua força pessoal.

Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro de si mesmo, e não a partir do outro

Ao perceber isso, ele torna-se menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável.

Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.

Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...

Formatado por Beth Norling (e por mim...)

Imagem: www.eso-garden.com


domingo, 18 de novembro de 2007

Sintoniza-te

"Sintoniza-te, encontra as tuas próprias notas, e fá-las soar alto e em bom som, pois tu fazes parte da vasta orquestra da vida. Tens a tua partitura específica para tocar, por isso não tentes executar aquela que pertence a outro. Procura e encontra a tua e guarda-a contigo! Quando aprenderes a fazer isso, tudo correrá bem, muito bem para ti. Aqueles que procuram tocar as notas dos outros encontram-se em desarmonia com o todo. Jamais tentes ser como quem quer que seja ou fazer o que os outros fazem. EU não quero que vocês sejam todos iguais, como ervilhas numa vagem. EU necessito de vocês, todos diferentes, com as vossas próprias virtudes e qualidades. Uma orquestra constituída por instrumentos todos iguais seria monótona. Numa orquestra, quantos mais instrumentos houver no conjunto em perfeita harmonia, melhor, mais rico e maravilhoso é o som que daí resulta."
Eileen Cady (uma das fundadoras de Findhorn)
Abrindo Portas que Há em Nós

Imagem:www.institutojuniarabello.com.br/admin/upload...

domingo, 11 de novembro de 2007

O FEMININO REENCONTRADO


Texto de apresentação do livro

O FEMININO REENCONTRADO,
de
Nathalie Durel Lima, Ariana Editora

Sinto-me muito abençoada por estar hoje aqui convosco para vos falar de um livro poderoso pelas pistas que nos dá para encontrarmos o caminho da nossa alma de mulheres, bem diferente da dos homens. O caminho da nossa individuação e da nossa diferenciação.

Estou aqui também porque, nas minhas orações à Mãe Divina, eu me coloquei ao serviço do ressurgimento do feminino no mundo. Do sagrado feminino. E a Mãe Divina trouxe-me até aqui hoje.

Não sou psicóloga, muito menos junguiana, não sou especialista nesta área, mas a minha intuição feminina, o meu trabalho com mulheres e os estudos que fiz nesta matéria dizem-me que estamos perante um poderoso manancial de informações sobre aquilo que somos na verdade. Informações que possibilitam o nosso empoderamento, tão importante neste mundo e num tempo como o nosso.

A história das mulheres é, no fundo, a história de um território, um território psíquico, que foi conquistado, dominado, colonizado. E, como sempre acontece com todos os territórios que são conquistados, dominados e colonizados, deu-se a obliteração de uma cultura, a sua eliminação, para, em seu lugar, se implantar uma outra.

A penetração dessa nova cultura foi fundo. Pelo efeito da força e do terror, o nosso condicionamento terá sido, não apenas educacional, sociocultural, religioso, mas também biológico. Teremos sido geneticamente condicionadas para sermos boas fêmeas reprodutoras, fiéis e submissas ao clã patriarcal. A mulher por detrás do grande homem, ou apenas do homem. Ficámos atrás. Queremos ficar ao lado.

Esse condicionamento despojou-nos da nossa riqueza psíquica, da nossa criatividade mais profunda, da nossa validação como seres autónomos e livres, da nossa vitalidade.

Esse condicionamento reduziu-nos à famosa dicotomia judaico-cristã: a mãe ou a prostituta; transformou-nos em “senhoras” muito certinhas, bonitinhas, limpinhas, boazinhas...

Mas deixemos agora essa parte. É importante termos consciência dela, sem nela no entanto nos determos, até porque a mensagem forte de Nathalie Durel Lima no seu livro é a de que precisamos de abandonar o discurso da vítima e de assumirmos de uma vez por todas quem nós somos de verdade.

A autora avança então com um novo conceito de mulher: a “mulher-pesquisadora”, a que investiga, que estuda, que quer saber, que quer conhecer as suas raízes. Já tínhamos aquela frase célebre: “Homem, conhece-te a ti mesmo”, mas esta exortação não nos serve. É bom que pensemos em substituí-la, no nosso caso, por: “Mulher, conhece-te a ti mesma!”, pois precisamos antes de mais nada da nossa existência e da nossa identidade linguísticas.

E para nos conhecermos a nós mesmas, às nossas raízes, à maravilhosa riqueza do feminino, temos aqui uma ferramenta privilegiada, que é a via dos arquétipos, ou seja, a do conhecimento das forças dominantes na nossa psique feminina.

A nossa psique feminina é diferente da psique masculina, enfatiza a autora, que recorre neste estudo à análise exaustiva dos arquétipos de oito deusas gregas em que a Grande Deusa Mãe se terá fragmentado numa sociedade patriarcal. Estes arquétipos, que têm correspondência noutras culturas, são os de ATENA, HERA, AFRODITE, ÁRTEMIS, HÉSTIA, DEMÉTER, PERSÉFONE E HÉCATE.

Cada uma destas oito deusas gregas representa um aspecto da nossa psique que, para o nosso equilíbrio e saúde psíquicos, precisa de ser activado em nós, nas várias fases da nossa vida.

Atena legitima a nossa necessidade de investirmos numa carreira, de nos afirmarmos na política ou nos negócios. Afrodite legitima a nossa sexualidade e o seu vínculo sagrado; Héstia a nossa necessidade de interiorização; Hera o nosso desejo de nos comprometermos num relacionamento. Ártemis legitima a nossa necessidade de independência, de liberdade, de criatividade; a nossa natureza instintiva e insubmissa que é vital resgatar. Deméter é a mãe dedicada e compassiva – porventura o arquétipo que a nossa cultura mais estimulou de forma tão excessiva, ao sobrepor o papel de mãe a todos os outros. Hécate ensina-nos a aceitar a menopausa como uma época privilegiada para a mulher, quando nos apropriamos verdadeiramente da sabedoria que soubemos colher da nossa experiência de vida. Perséfone, entretanto, o arquétipo da purificação, protagoniza o nosso mito fundador, quando deixamos de ser Core, a Donzela, a menina da nossa mãe, e nos tornamos uma mulher de verdade, depois de termos aceitado descer às profundezas, ao submundo, normalmente pela via da depressão, e de termos conseguido transmutar a dor, a raiva, as nossas mágoas mais profundas, em força e poder. O que significa fazermos a nossa caminhada interior.

A nossa caminhada interior é exactamente o tema deste livro, que nos apresenta vários estudos de casos concretos, situações que no fundo exemplificam e trazem à luz a problemática existencial mais comum na mulher de hoje.

E aqui, mais uma vez, encontro-me em grande sintonia com o pensamento da autora, quando ela refere a necessidade de fazermos o nosso “trabalho de casa”, a “arrumação da nossa casa interior”, de nos confrontarmos com a nossa parte pessoal antes de tentarmos passar para a transpessoal. Não podemos aspirar ao céu sem que as nossas questões terrenas estejam resolvidas. Em linguagem astrológica, diz-se que não podemos viver Neptuno sem antes termos resolvido Saturno e Urano, a nossa segurança na matéria e a libertação daquilo que nos aprisiona. E uma parte tão enriquecedora deste livro, que o torna tão íntimo e especial, é precisamente essa abertura de alma e coração de Nathalie, ao revelar-nos as várias etapas do seu percurso interior, ao mostrar-nos as suas feridas e os métodos de cura que usou consigo mesma, frisando o quanto este processo é importante para que o terapeuta possa estar à altura das exigências do seu trabalho.

De resto, grande ênfase é dada aqui a isso que é “ser terapeuta”.

Pessoalmente, posso dizer-vos que a minha adesão completa a este trabalho se deu ao ler a análise do arquétipo que desde sempre foi dominante em mim: o arquétipo de Ártemis. É muito reconfortante e libertador, sentimo-nos validadas como pessoas, ao compreendermos que o padrão que prevalece em nós pertence totalmente à normalidade do universo feminino. Se desequilíbrio há, é só porque precisamos de deixar que outros arquétipos se activem em nós e temperem a nossa alma.

De resto, Perséfone tem feito o seu caminho até mim, e também Hécate, a mulher madura que aceita serenamente o processo do envelhecimento, compreendendo que aquilo que ganha em liberdade e sabedoria compensa largamente aquilo que perde e que, no fundo, também já não lhe interessa.

Uma das coisas que tenho como mais certas é que, como diz a autora, estes processos, esta jornada interior, implicam sabermos estar a sós connosco. Embora seja maravilhoso sentirmo-nos tão unidas a outras companheiras e companheiros, embora sejamos por natureza seres gregários, gostarmos da nossa própria companhia, sentirmo-nos seres completos e autónomos, encontrarmos a nossa própria voz, o nosso talento pessoal, os nossos dons especiais, é uma tarefa prioritária para nos sentirmos realizadas como seres humanos de pleno direito. E para isso precisamos de saber estar sozinhas. Héstia, a deusa da interioridade e do fogo sagrado, acompanhar-nos-á, se a invocarmos.

No meu caso ainda, como aconselha Nathalie Durel, evoco neste momento outro arquétipo – este já da cultura judaico-cristã –, Maria Madalena, a fim de que me ajude a actualizar em mim o arquétipo porventura mais debilitado, o arquétipo de Hera.

Maria Madalena é, segundo as palavras da autora, “uma referência do feminino, um apelo para que todas nós mulheres possamos relacionar-nos sem trairmos a nossa essência. Ela ensina-nos como sermos mulheres de poder e aceitarmos que o outro também o seja.”

Convém ainda não esquecer que, para nos sentirmos inteiras, à semelhança da Grande Deusa Primordial, todos os arquétipos, todas estas forças, devem ser igualmente valorizadas e activadas na nossa psique.

Queria ainda referir a forte ligação que podemos encontrar neste livro com o Método Louise Hay, especialmente quando se reafirma a necessidade de nos validarmos a nós mesmas, de nos amarmos e aceitarmos como somos, de cuidarmos de nós em primeiro lugar, de pararmos de querer obsessivamente dar aos outros antes de nos encontrarmos nós mesmas repletas e preenchidas. Paremos com o processo de desgaste e de anulação que tem sido a tónica dominante do feminino até agora.

E vou terminar com mais uma citação de O FEMININO REENCONTRADO:

“A nossa tarefa é a de reequilibrarmos com consciência a poderosa beleza do feminino e reencontrarmos a nossa Deusa Interior.”

Jardim da Rocheira, Estoril, 10 de Novembro de 2007


domingo, 4 de novembro de 2007

UM SÓ CORAÇÃO


UM SÓ CORAÇÃO é o título do livro publicado pela Ariana Editora que, a 27 de Outubro último, foi apresentado no Universo ATMA. Nele, trinta e uma Hay Teachers (entre as quais me incluo) formadas por Vera Faria Leal, que fez a apresentação, relatam a sua experiência com o Método Louise Hay e a forma como, graças a ele, viram as suas vidas transformadas de forma tão positiva.

Fiquei muito contente ao constatar o sucesso que o nosso livro está a ter junto do público: leitoras entusiastas revelam sentir uma grande identificação com as situações relatadas, encontrando muito conforto nesta leitura cheia de esperança e de boa energia.

domingo, 21 de outubro de 2007

Reequilibrar a Poderosa Beleza do Feminino


"... precisamos de nos encontrar como mulheres e descobrir quem se esconde dentro de nós. Acho que chegou o momento de nos diferenciarmos e de demonstrarmos valores e comportamentos específicos do mundo das mulheres. As mulheres que ainda não descobriram o seu poder, e que ainda estão à espera que o “Príncipe Encantado” as venha salvar, precisam de acordar das suas ilusões e descobrir que o poder está dentro delas mesmas. As mulheres diferentes, as poderosas, as combatentes e as vitoriosas, devem “regar” os corações, sair da aridez mental, da intelectualização e da corrida pela eficácia e pela perfeição. A nossa tarefa é a de reequilibrar com consciência a poderosa beleza do feminino, e reencontrar o poder da nossa Deusa Interior."

"Tenho a certeza de que, cada vez mais, as mulheres irão dar luz a si próprias, em consciência, mas, para isso acontecer, é necessário que se encontrem consigo mesmas, e também com outras mulheres que já passaram por esta caminhada interior."

in O Feminino Reencontrado, Nathalie Durel Lima, Ariana Editora.

Imagem: www.net.rosas.com.br

sábado, 20 de outubro de 2007

Diário de Viagem de Leyla a Findhorn

Num instantinho, no intervalo da correcção de trabalhos dos alunos, fui espreitar o Diário de Viagem de Leyla a Finhhorn. Em Setembro, Leyla viajou pelo Sul de França, acompanhada de amigos. É delicioso ler a redução desta geografia a uma visão pessoal e intimista. Diários de viagem são janelas que uma alma abre sobre os seus locais de deambulação.

Às tantas, o fascínio dela é contagiante; acabo por me sentir na pele de Leyla, também eu entusiasmada com a visão e a actividade daqueles que se empenham em construir modelos de vida alternativos, cheios de esperança e apostando na renovação de um mundo que por toda a parte nos dizem que está em desagregação... Modelos de vida comunitária, em que deixamos de estar centrados na nossa vidinha, dentro dos limites apertados do nosso apartamento, e em que nos unimos a outros com um propósito que nos transcende...

A imagem foi retirada de um sítio que me parece muito interessante e a propósito:

simplicidadevoluntaria.com

HÉCATE, A SÁBIA

Jean Shinoda Bolen, autora de As Deusas e a Mulher Madura
(imagem Google)
Foi muito difícil escolher uma entre tantas possíveis: Louise Hay, Maria de Lurdes Pintassilgo, Maria Flávia de Monsaraz, Elizabeth Kübler Ross, Sophia de Mello Breyner, Natália Correia...

"A nossa sociedade tem preconceitos terríveis sobre o envelhecimento. As mensagens que as mulheres com mais de cinquenta anos recebem sobre “aquilo que irá acontecer-lhes” no futuro são ridículas, profundamente difamadoras e, na sua grande maioria, não correspondem à realidade. De acordo com essa publicidade, parece que toda a pessoa que envelhece se torna deprimida, cansada, incontinente, senil, esquecida e, pior, essa mesma publicidade deixa no ar a ideia de que são pessoas frágeis que constituem um peso para a sociedade. Não é de admirar, portanto, que muitas mulheres depois dos cinquenta façam cirurgias estéticas porque, de facto, cada vez menos a nossa sociedade lhes dá o espaço e o valor que elas merecem.

Nos bastidores movimentam-se as empresas farmacêuticas que querem vender os seus produtos. Consequentemente, elas criam campanhas que culpam as mulheres, se não utilizam hormonas, ou outros medicamentos. Tal é o medo que provocam acerca do acto natural que é envelhecer, que conseguem fazer-lhes acreditar que, se a partir da menopausa não optarem por tomar tal ou tal produto, irão desfazer-se, adoecer e morrer antes da hora certa.

(...)

A mulher que no decorrer da sua vida passou por todas as fases de desenvolvimento físico e psicológico, através da menstruação e da maternidade, está, enfim, preparada para
ser ela mesma e encarar os mistérios da vida. A menopausa é a fase da purificação interna da essência feminina que se vincula com o mito de Hécate, Deusa da Sabedoria, resultante da assimilação positiva, e muitas vezes dolorosa, da experiência “do ser mulher”. Esta parte do seu arquétipo pode também ser utilizada para purificarmos e libertarmos coisas que sabemos que não são mais necessárias, ou que estão a atrasar o nosso crescimento."

In O Feminino Reencontrado, Nathalie Durel Lima, Ariana Editora

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A Mulher Afrodite


Com Afrodite como arquétipo (altamente) dominante, a imagem de Marilyn Monroe continua a ser um manancial inesgotável de sensualidade, de beleza e de graça para a humanidade.

Apesar de tudo isso, a força deste arquétipo é das mais incompreendidas, desrespeitadas e maltratadas pela sociedade patriarcal - "rejeição do vínculo entre a sexualidade e a alma" (Nathalie Durel Lima, in O Feminino Reencontrado)

Imagem: profile.myspace.com

A Deusa Ferida em Todas Nós

Gaia - "preexiste a tudo, até ao próprio tempo. Gaia, a eterna, deusa maternal da terra pré-histórica, encarna a fertilidade misteriosa, húmida e activa." *

"É urgente, portanto, que compreendamos a natureza e a condição dos arquétipos femininos que estão despontando do inconsciente colectivo da nossa cultura. A primeira coisa que notamos é que, como qualquer pessoa que foi encarcerada, exilada, vituperada e caluniada, as deusas, ao serem restauradas nas consciências como princípios psico-espirituais, frequentemente parecem fracas, confusas, magoadas e feridas. Esses ferimentos devem-se ao tratamento áspero e cruel que receberam nas mãos da repressão patriarcal: Afrodite envergonha-se da sua sexualidade; Atena questiona a sua capacidade de pensar; Hera duvida do seu próprio poder; Deméter desconfia da sua fertilidade; Perséfone nega as suas visões; Ártemis não sabe interpretar a sua sabedoria corporal instintiva. Isso, e muito mais, é o legado do exílio psíquico do feminino.
Quando começarmos a examinar em detalhe a psicologia de cada uma das deusas, deveremos prestar atenção especial àquilo a que chamamos chagas das deusas; as mágoas profundas que todas elas sofreram, ferimentos que lhes foram infringidos durante a longa história da batalha psicológica pela supremacia, empreendida pelas forças masculinas na nossa cultura ocidental. Não importa se essas
chagas surgiram pela primeira vez com a hegemonia guerreira dos gregos antigos, com o imperialismo dos romanos ou com o medo puritano do feminino e do corpo entre certas facções do cristianismo.
A nós urge perguntar porque é que toda a mulher actual carrega dentro de si resquícios da chaga de uma deusa específica, que se vem apostemando há quase três milénios."
(in A Deusa Interior, Roger J. Woolgler, Ph. D. - filósofo e psicólogo junguiano, Ed.Cultrix)

in: http://terapiadamulher.blog.com/
*http://groups.msn.com/TaMissiondeVie2/lesdesses.msnw



terça-feira, 16 de outubro de 2007

Uma Mulher Hera

Hilary Clinton

Uma Mulher Hera que soube assumir o seu próprio poder apesar da imponência do seu marido Zeus...

(Em "O Feminino Reencontrado", de Nathalie Durel Lima, Ariana Editora, encontramos uma análise muito interessante deste autêntico casal do panteão olímpico, só que aqui com uma Hera sábia e triunfante...)

"É importante que as mulheres retomem os seus poderes e se tornem cidadãs activas e brilhantes, que defendam valores diferentes daqueles defendidos pelo homem..."(Nathalie Durel Lima, O Feminino Reencontrado)

"Maria Madalena é uma referência do feminino, um apelo para que nós mulheres possamos relacionar-nos sem trairmos a nossa essência. Ela ensina-nos como sermos mulheres de poder e aceitarmos que o outro também o seja." (idem)
Imagem: google

Uma Mulher Ártemis

"A pintora Americana Georgia O´Keeffe foi uma mulher Afrodite-Ártemis que nunca desistiu da sua maneira de ser. Ela teve a capacidade de poder viver sozinha no deserto do Arizona. Era considerada pelo patriarcado como uma mulher rebelde, que viveu em sintonia com a sua essência e que aceitou que tudo tem um preço. Infelizmente, a nossa sociedade não reconhece este tipo de mulher que facilmente é catalogada de “rebelde” pela sua irreverência ou de “prostituta” por ser independente sexualmente. Ela não encaixa nos moldes pré-estabelecidos."

In O Feminino Reencontrado, Nathalie Durel Lima", Ariana Editora

Acabo de receber este endereço:

http://www.ellensplace.net/okeeffe1.html

O Poder da Linguagem das Deusas

"Símbolo dos três aspectos da Grande Deusa, a Deusa Tripla, trindade original, constitui a mais antiga representação da divindade múltipla" (in http://www.jardinsoleil.com)

“De acordo com a teoria Junguiana, as deusas são arquétipos, o que equivale a dizer fontes derradeiras dos padrões emocionais dos nossos pensamentos, sentimentos, instintos e comportamentos que poderíamos chamar de “femininos”, na acepção mais ampla da palavra. Tudo aquilo que concebemos com criatividade e inspiração, tudo o que acalentamos, que amamentamos, de que gostamos, toda a paixão, desejo e sexualidade, tudo o que impele a união, a coesão social, a comunhão e a proximidade humana; todas as alianças e fusões; e também todos os impulsos de absorver, destruir, reproduzir e duplicar, pertencem ao arquétipo universal do feminino. Entretanto, a psicologia académica moderna, com o seu amor pelas abstracções masculinas, prefere usar a linguagem racional e espiritualmente insensibilizante dos “instintos”, “impulsos” e “padrões de comportamentos” – palavras que não geram imagens na imaginação, nem provocam lampejos de reconhecimento na alma. Como disse certa vez James Hillman, o psicólogo dos arquétipos, a “linguagem da psicologia é um insulto à alma”.

No entanto, os Gregos e todas as culturas antigas, percebiam essas energias não como abstracções destituídas de alma, mas sim como forças espiritualmente vitais, ou energias que estão exercendo continuamente influências poderosas sobre os nossos processos psicológicos.
Quando conseguiam reconhecer as forças espirituais que activavam e esclareciam determinados aspectos do comportamento e da experiência humana, chamavam esses fenómenos de “compulsões dos deuses e das deusas”. (Texto extraído da obra “A Deusa Interior ”, de Roger J. Woolger, Ed.Cultrix)
http://terapiadamulher.blog.com/653746/(adaptado)
Imagem: www.jardinsoleil.com

A DEUSA INTERIOR


“A idéia do feminino, há muito tempo suprimida pelas sociedades patriarcais e pelo Cristianismo, cumpriu um importante papel na mitologia e nas religiões antigas. A noção de que as deusas, como Atena, Afrodite, Deméter, Ártemis, Hera e Perséfone, simbolizam características encontradas individualmente nas mulheres está mais uma vez em voga. Os arquétipos das deusas validam as mulheres por aquilo que elas são e não por aquilo que a sociedade diz que elas deveriam ser. Como tal, as deusas são uma fonte de liberdade e de compreensão, que pode ser contactada por qualquer mulher, não importando o caminho de vida que escolheu.

"A Deusa Interior é um guia fascinante sobre as qualidades das deusas que vivem dentro de nós. Baseado numa pesquisa realizada pelos autores, num período de dez anos, sobre a psicologia da deusa, este livro é um exemplo fascinante de como aplicar essa abordagem dinâmica à sua vida, enriquecer o seu auto-conhecimento, libertar-se de expectativas limitadoras e orquestrar os pontos de mutação na sua vida ao compreender que tipo de deusa está mais predominante. O mais importante é que os autores enfatizam a necessidade de harmonia entre as várias qualidades das deusas: permitir que uma deusa domine a personalidade é negar a riqueza que está disponível quando se tem todas as deusas em equilíbrio. Maravilhosamente positivo e profundo nas suas implicações, este é um livro que irá ajudar a posicionar o feminino no seu devido lugar na consciência actual e oferecer às mulheres e aos homens a oportunidade única de aprender mais a respeito do poder de se transformarem a si mesmos.”

(Texto de apresentação do livro A DEUSA INTERIOR, de Roger J. Woolger, Ph. D., Ed. Cultrix; em http://www.submarino.com.br/books)

A Solidão Intencional

Arquétipo dominante: Héstia, a deusa do Lar e da interioridade...


«Para ter esse intercâmbio com o feminino selvagem, a mulher precisa de deixar temporariamente o mundo, colocando-se num estado de solidão – aloneness – no sentido mais antigo do termo. Antigamente, a palavra alone (só) era tratada como duas palavras, all one. Estar “all one” significava estar inteiramente em si, em sua unidade, quer essencial quer temporariamente. Ela é a cura para o estado de nervos em frangalhos tão comum às mulheres modernas, aquele que as faz “montar no cavalo e sair cavalgando em todas as direcções”, como o diz um velho ditado.

A solidão não é uma ausência de energia ou de acção, como acreditam algumas pessoas, mas sim um tesouro de provisões selvagens a nós transmitidas a partir da alma. Nos tempos antigos, a solidão voluntária era tanto paliativa quanto preventiva. Ela era usada para curar a fadiga e para evitar o cansaço.

Era também usada como um oráculo, como um meio de se escutar o self interior , a fim de obter conselhos e orientação que, de outra forma, seriam impossíveis de ouvir no burburinho do dia-a-dia.

As mulheres dos tempos antigos, assim como as mulheres aborígenes modernas, reservavam um local sagrado para essa indagação e comunhão. Tradicionalmente, diz-se que esse lugar era reservado para a menstruação, pois durante esse período a mulher está muito mais próxima do autoconhecimento do que o normal. A membrana que separa a mente consciente da inconsciente fica, então, consideravelmente mais fina. Sentimentos, recordações e sensações, que normalmente são impedidos de atingir a consciência, chegam ao conhecimento sem nenhuma resistência. Quando a mulher procura a solidão durante esse período, ela tem mais material a examinar.

Como na história, se fixarmos uma prática regular de solidão voluntária, estaremos propiciando uma conversa entre nós mesmas e a alma selvagem que se aproxima da terra firme. Agimos assim não só para “estar perto” da nossa natureza selvagem e profunda, mas, como na tradição mística desde tempos imemoriais, o objectivo dessa união é o de que nós façamos perguntas e de que a alma dê conselhos.

Como se pode invocar a alma? Há muitas formas: pela meditação, pelos ritmos da corrida, do toque de tambor, do canto, do acto de escrever, da pintura, da composição musical, de visões de grande beleza, da oração, da contemplação, dos ritos e rituais, de ficar parada e até mesmo de ideias e disposições de ânimo arrebatadoras. Tudo isto pode transformar-se em convocações psíquicas que chamam a alma da sua morada até à superfície.»

Clarisse Pinkola Estés, Mulheres que correm com os lobos, Rocco

Imagem: gerard.beuchot.free.fr



sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Aprender com o Urso

"Na psique, o urso pode ser compreendido como a capacidade de se regular a própria vida, especialmente a vida emocional. A força do urso está na sua capacidade de se movimentar em ciclos, de estar totalmente alerta ou de se acalmar entrando num sono hibernal que renova as suas energias para o ciclo seguinte. A imagem do urso ensina ser possível manter uma espécie de barómetro na nossa vida emocional, e especialmente que podemos ser ferozes e generosas ao mesmo tempo. Podemos ser lacónicas e prolixas. Podemos proteger o nosso território, deixar claros os nossos limites, abalar os céus caso seja necessário, e ainda ser disponíveis, acessíveis, férteis, tudo ao mesmo tempo.»

in Mulheres que correm com os lobos, Clarissa Pinkola Estés, Rocco (citada por Nathalie Durel Lima em O Feminino Reencontrado, Editora Ariana, a partir de Novembro/07)

Imagem: www.lowcucar.com.br

terça-feira, 9 de outubro de 2007

O Complexo de Cinderela

Gustave Doré, Cendrillon

"A escritora Colette Dowling criou uma teoria a que chamou “O complexo de Cinderela”,que relata e explica toda a problemática de mulheres que não conseguem assumir responsabilidades e cuidar de si-mesmas:

« ....a liberdade assusta. Ela apresenta-nos possibilidades para as quais não nos sentimos preparadas: promoções, responsabilidades, oportunidades de viajarmos sozinhas sem homens a conduzirem-nos, oportunidades de fazermos amigos por nossa conta. Todo o tipo de perspectivas rapidamente se abriu às mulheres; juntamente com isso, porém, vieram novas exigências: que cresçamos e paremos de nos esconder sob o manto paternalista daquele que escolhemos para representar o ente “mais forte”; que comecemos a basear as nossas decisões nos nossos pr6prios valores, e não nos dos nossos maridos, pais ou professores. A liberdade requer que nos tornemos autênticas e fiéis para connosco. Aqui é que surge a dificuldade. E ela surge repentinamente, quando não basta apenas sermos “uma boa esposa”, ou “uma boa filha”, ou “uma boa aluna”. Pois, ao iniciarmos o processo de separar de nós as figuras de autoridade a fim de nos tornarmos autónomas, descobrimos que os valores que julgávamos serem nossos não o são. Pertencem a outrém – a pessoas de um passado vivo e demais abrangente. Por fim a hora da verdade emerge:

“Realmente não tenho quaisquer convicções pr6prias.

Realmente não sei no que acredito».

Da obra a publicar brevemente "O Feminino Reencontrado", de Nathalie Durel Lima

domingo, 30 de setembro de 2007

CURAR

Mãe Terra e as Árvores Sagradas, Diana Vandenberg

Sábado consagrado às Constelações Familiares, com Paula Matos, em Carcavelos. Grupo numeroso de pessoas que, de coração aberto, estavam ali à procura de respostas para as suas dúvidas, procurando-as neste caso nos desequilíbrios existentes nos seus sistemas familiares.
Há uma alma familiar da qual a nossa alma individual faz parte (para além de o fazer também de outros sistemas) que precisa de estar equilibrada e com a qual precisamos de estar em harmonia para que a nossa vida possa fluir de forma mais criativa e satisfatória.
Há leis desse sistema que devem ser conhecidas e respeitadas, como a lei da ordem (que lugar ocupa cada um no sistema); a lei do equilíbrio entre o dar e o receber; a necessidade de pertencer, de fazer parte do sistema; a lei do amor, da lealdade, em nome da qual muitas vezes fazemos inconscientemente coisas impensáveis...

Nestas sessões tomamos consciência do peso, da importância e do imenso amor - que por vezes não é assim tão evidente para nós - por este primeiro sistema que permitiu a nossa vinda a este mundo. A postura aqui é de profundo respeito e reverência perante o Pai e a Mãe, em relação aos quais seremos sempre os mais pequenos, aqueles que não têm o direito de julgar qualquer dos seus actos, mas tão somente de os aceitar, quaisquer que tenham sido. Como contraponto a isto, também não nos cabe a nós, os filhos, assumirmos qualquer responsabilidade por esses mesmos actos; eles são o seu "fardo", e a eles apenas deve pertencer essa carga. A nós cabe-nos apenas sentir uma imensa gratidão pelo simples facto de, através deles, termos tido acesso à Vida. Sem isto, asfixiamos em "emaranhamentos" que dificilmente nos permitem tornarmo-nos adultos responsáveis e senhores do nosso próprio destino...
A serenidade que sentimos no final é o melhor indicador da justeza, da verdade destes princípios.

Paula Matos acaba de lançar o seu próprio livro, Constelações Familiares – Um Olhar Sistémico para: Relacionamentos, Sentimentos e Sintomas, da Ariana Editora, onde expõe de forma simples e clara os princípios mais importantes desta bela arte de cura, criada pelo alemão Bert Hellinger e desenvolvida por outros, como Jacob Scheinder. Esses princípios são ilustrados com relatos de situações concretas sobre as quais trabalhou ao longo dos vários anos de experiência em Constelações Familiares.

É desse mesmo livro que deixo aqui uma interessante e justa definição de CURA que a autora retirou da obra do psiquiatra David Benor:

“Cura é a influência intencional de uma ou mais pessoas sobre um organismo, sem a utilização de meios de intervenção física conhecidos. Essa “influência” significa concentrar-se na sabedoria e na energia que emanam subtilmente do coração e não apenas nas manipulações e técnicas inventadas pelo cérebro. Curar com o coração não é “tentar curar”, mas permitir que a natural energia sanativa do coração e todas as memórias de curas que já ocorreram, ressoem dentro da pessoa; é permanecer sereno e calado para permitir que o coração estabeleça com outros corações uma coerência compartilhada na forma de prece solidária que transcende os limites das palavras.

A cura através do coração tem a finalidade de nos manter íntegros com os sistemas à nossa volta para podermos cuidar e proteger esses sistemas, que incluem pessoas, plantas, animais e lugares.

“A cura é o processo de manter a conexão de energia saudável fluindo dentro de todos os sistemas. São os sistemas e não os indivíduos que adoecem. Saúde e doença não são extremidades opostas de um continuum. Todos nós estamos sadios e doentes ao mesmo tempo, porque somos sistemas energéticos caóticos em processo de autocorrecção. Estabilidade não significa nunca mudar. A estabilidade sistémica é indicada pelos reajustes energéticos constantes de um sistema. Estamos curados quando nos sentimos íntegros, quando os outros dizem que se sentem mais ligados a nós, quando algo no nosso coração nos faz sentir novamente o encanto do mundo e nos liga a ele energeticamente mais uma vez. Estamos curados quando aprendemos a celebrar a vida em vez de apenas lutar para protegê-la. Quando aprendemos a tornar-nos mais conscientes da subtil instabilidade oscilante que se encontra logo abaixo daquilo que podemos experimentar como “saúde estável”.(David Benor)

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O Livro do momento O CÁLICE E A ESPADA


O CÁLICE E A ESPADA,
Riane Eisler, Via Óptima Editores, Porto

Quero ainda chamar a vossa atenção para uma obra que leio neste momento, e que é absolutamente indispensável, ou mais do que isso: VITAL Trata-se de O CÁLICE E A ESPADA, da americana Riane Eisler, de que já falei noutro post. Tudo aquilo que dizem Isabel Allende ou Ashley Montagu não é nenhum exagero. Conhecer o conteúdo deste livro é produzir em nós homens e mulheres, mas particularmente nas mulheres, uma extraordinária e muito curadora revolução mental, pois a informação que contém sobre a nossa história e sobre os modelos de sociedade possíveis abre-nos horizontes inimagináveis. VIVER DE OUTRA MANEIRA É NÃO SÓ POSSÍVEL COMO JÁ FOI FEITO E AINDA SE FAZ. O modelo social de DOMINAÇÃO vigente agora, é urgente que o substituamos pelo modelo da PARCERIA.

Encomendei o livro por aqui, pela Net, e em dois dias tinha-o em mãos. A editora é a Via Óptima, do Porto, e podem aceder a ela através do link que coloquei no meu post anterior sobre esta obra.

Apesar de se tratar da obra de uma cientista social, a abordagem é acessível, o tom muito vivo e lê-se “como um romance”, cheio de encanto e, sobretudo, muito boas notícias!

Imagem: rosaleonor.blogspot

terça-feira, 25 de setembro de 2007

SATURNO

Imagem: Somos Todos Um, Web

Os estudos que fiz no domínio da Astrologia deixaram-me fascinada com esta linguagem tão sábia, tão expressiva e tão exacta, que nos fala de aspectos de nós de que precisamos muito de tomar consciência...

“Em regra, ele é tido como aquele que traz limitação, frustração, trabalho penoso e renúncia; e até mesmo o seu lado mais brilhante está normalmente ligado à sabedoria e à autodisciplina da pessoa que não tira o nariz do seu trabalho e não comete a “atrocidade” de rir para a vida. Pelo signo e pela casa que ocupa, Saturno indica aquelas áreas de vida nas quais é provável que o indivíduo venha a sentir-se frustrado na sua auto-expressão, e onde é muito provável que ele sofra decepções e enfrente dificuldades. Em muitos casos, Saturno dá a impressão de estar relacionado com circunstâncias dolorosas, que não parecem ter ligação com qualquer fraqueza ou imperfeição da parte da própria pessoa, mas que simplesmente “acontecem”, acarretando desse modo a este planeta o título de “Senhor do Carma”. Esta avaliação bastante depressiva permanece associada a Saturno a despeito do mais antigo e repetido dos ensinamentos, aquele que nos diz que ele é o Habitante do Umbral, o guardião das chaves do portão, e que somente através dele é que podemos eventualmente alcançar a libertação por meio da autocompreensão.
As experiências frustrantes associadas a Saturno são obviamente necessárias, uma vez que são educativas tanto num sentido prático como num sentido psicológico. Não importa se usamos uma terminologia psicológica ou esotérica, o facto básico permanece o mesmo: os seres humanos só conquistam o livre arbítrio através do autoconhecimento e só procuram esse autoconhecimento quando as coisas se tornam tão dolorosas a ponto de não lhes permitir outra escolha. (...)
Qualquer um que encontre prazer na sua dor é considerado masoquista; contudo, o que Saturno promove não é o prazer da dor, mas, antes, a alegria da libertação psicológica.”

Liz Greene, Saturno, Editora Pensamento